
Risco da dívida espanhola regista maior queda desde dezembro por rumores de compra massiva de dívida
Madrid, 20 jun (Lusa) - O risco da dívida espanhola registou hoje a maior queda num dia desde dezembro do ano passado, perante rumores de uma possível operação de compra massiva de dívida espanhola e italiana pelos fundos europeus de resgate.
Apesar do desmentido de Bruxelas, a notícia continua a alimentar o comportamento dos mercados secundários com o diferencial entre os títulos espanhóis e alemães a 10 anos a cair para 511 pontos base.
Os juros a 10 anos, que estiveram nos últimos dias acima dos 7,0 por cento, caíram hoje para 6,742 por cento, com o principal indicador da bolsa espanhola, o Ibex 35, a crescer 1,10 por cento.
A última vez que o risco da dívida espanhola caiu mais de 30 pontos foi em dezembro, depois do Banco Central Europeu (BCE) ter anunciado o seu programa de liquidez para a banca europeia.
Hoje já caiu 38 pontos desde a abertura, marcando uma jornada de alívio depois de ter chegado a atingir os 583 pontos base, com os juros a 10 anos a subirem para 7,2 por cento.
A imprensa inglesa noticiou hoje que os líderes europeus estão prestes a anunciar um resgate às economias de Espanha e Itália, comprando obrigações dos países no valor de 750.000 milhões de euros para reduzir as taxas dos empréstimos.
De acordo com a mesma fonte, o comunicado apresentado no final da cimeira que juntou os 20 países mais ricos do mundo, em Los Cabos, México, propõe o recurso a dois mecanismos para obter o valor recorde de resgate.
Para os líderes presentes na cimeira, referem, o Fundo Europeu de Estabilidade deve contribuir com 500.000 milhões de euros e o Fundo de Estabilidade Financeira Europeu com 250.000 milhões de euros, valor que deverá servir para comprar títulos de dívida dos dois países e acalmar os mercados.
O porta-voz da Comissão Europeia, Amadeu Altafaj Tardio, disse, entretanto, desconhecer a existência de negociações para um resgate às economias da Espanha e Itália e que, ao contrário do noticiado hoje, "não existiram negociações no G20 sobre a compra de obrigações" de Espanha e Itália.
A imprensa britânica adianta ainda que o presidente francês, François Hollande, informou que a Itália defendeu a utilização do novo fundo de resgate permanente da Zona Euro para comprar as dívidas de Estados-membros sobrecarregados com os custos dos empréstimos, admitindo que é uma ideia a explorar.
ASP (PPF/PMC).
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