
Síria: Impasse na ONU é tributário dos tempos da Guerra Fria - MNE
Maputo, 19 jul (Lusa) - Portugal considera que o impasse ao nível do Conselho de Segurança das Nações Unidas impede soluções políticas e é "tributária" dos tempos da Guerra Fria, refere hoje um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
"Portugal considera que a continuação deste impasse sobre a terrível situação na Síria é mais tributária de uma perspetiva internacional dos tempos da Guerra Fria, do que da urgência em substituir a guerra civil por um processo de negociação política", de acordo com um comunicado, divulgado na sequência do veto da Rússia e da China apresentado hoje ao Conselho de Segurança da ONU.
Portugal votou hoje favoravelmente um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria. O projeto de resolução, explica a nota do MNE, visava dar concretização ao plano de Kofi Annan e travar a continuação da "violência e da devastadora perda de vidas humanas" na Síria, mas o impasse mantém-se.
"Não obstante os 11 votos favoráveis, representando a larga maioria dos membros daquele órgão (Conselho de Segurança das Nações Unidas) e refletindo o sentimento geral da comunidade internacional, o conselho continua paralizado pelo exercício do direito de veto", frisa.
Para a diplomacia portuguesa, enquanto em Nova Iorque, o Conselho de Segurança das Nações Unidas está bloqueado, a situação no terreno "agrava-se significativamente, atingindo níveis de violência descontrolados, cujas principais vítimas são civis".
De acordo com o comunicado, Portugal considera "crucial" que o Conselho de Segurança das Nações Unidas "assuma a sua responsabilidade pela manutenção da paz e segurança internacionais" e tome medidas decisivas para a resolução da crise.
Sem referir qualquer país, o comunicado acrescenta que Portugal "não regateará esforços diplomáticos que permitam alcançar decisões efetivas".
A Rússia e a China vetaram uma resolução do Conselho de Segurança sobre a Síria, que ameaça aplicar sanções, caso o governo sírio continue a usar armas pesadas e não retire dos centros populacionais.
Apresentado pelo Reino Unido, e subscrito por Portugal, Alemanha e Estados Unidos, o projeto de resolução teve votos favoráveis de 11 membros do Conselho de Segurança, as abstenções da África do Sul e do Paquistão e o voto contra da Rússia e da China.
O projeto renovava o mandato da missão de observadores da ONU para a Síria (UNSMIS), que termina na sexta-feira.
PSP (PDF).
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