Grandes protestos em mais de 80 cidades espanholas contra austeridade

Grandes protestos em mais de 80 cidades espanholas contra austeridade

Madrid, 19 jul (Lusa) - Grandes protestos contra as medidas do Executivo de Madrid, como cortes salariais e aumentos de impostos, classificados como "roubo", decorreram hoje em mais de 80 cidades de Espanha, em manifestações convocadas pelos sindicatos, notícia a AFP.

As mais de 80 manifestações convocadas em todo o país foram as mais recentes e maiores ações de protesto de uma série que se tem prolongado, quase diariamente, ao longo do mês.

"Mãos ao ar! Isto é um assalto!", gritavam os manifestantes em Madrid, onde uma maré humana enchia as avenidas do centro madrileno.

Os protestos irromperam na passada semana depois de o chefe do governo, Mariano Rajoy, ter anunciado medidas para reduzir despesa em 65 mil milhões de euros, de forma a reduzir o défice orçamental.

Entre as medidas anunciadas está a eliminação do subsídio de Natal aos funcionários públicos, o que corresponde a uma redução salarial de sete por cento e sucede a uma redução salarial em 2010, seguida por um congelamento salarial.

"Não há nada que possamos fazer, a não ser vir para a rua. Perdemos 10 a 15 por cento do nosso salário nos últimos quatro anos", afirmou Sara Alvera, de 51 anos, que trabalha no setor da Justiça, quando se manifestava em Madrid.

O governo conservador decidiu também reduzir o subsídio de desemprego e aumentar o imposto sobre o valor acrescentado (IVA).

O ministro das Finanças, Cristobal Montoro, defendeu as medidas, dizendo: "Não há dinheiro nos cofres para pagar os serviços públicos".

Os manifestantes rejeitaram esta justificação: "Não há falta de dinheiro. O que há é demasiados ladrões", criticava-se num cartaz exibido na multidão.

Os críticos dizem também que as novas medidas de austeridade vão piorar as condições económicas para as pessoas comuns.

Uma professora, Cristina Blesa, de 55 anos, queixou-se de ela e o marido estarem com muitas dificuldades para pagar a frequência universitária do seu filho, em razão do aumento dos impostos e dos cortes salariais.

"Ganhamos cada vez menos e ao mesmo tempo aumenta o preço de quase tudo - o metro, a luz,...", disse.

"Agora com o aumento do IVA, vai ficar tudo mais caro. O fim do mês está a ser cada vez mais difícil", queixou-se.

A Espanha deve receber o primeiro dinheiro do resgate europeu à banca de 100 mil milhões de euros este mês.

Os líderes da Zona Euro devem terminar o acordo durante uma conferência telefónica na sexta-feira.

O Tesouro Público espanhol colocou hoje 2.981 milhões de euros em títulos a 2,5 e 7 anos, próximo do máximo previsto, mas com juros muito mais elevados e com a procura menor do que em leilões anteriores.

As elevadas taxas indicam que os credores estão preocupados com a capacidade de Espanha pagar as suas dívidas, quando se confronta com uma segunda recessão em quatro anos e tem uma taxa de desemprego de 24 por cento.

Os manifestantes queixam-se que estão a pagar os efeitos da crise financeira, ao contrário dos ricos e dos bancos.

"Todos nós viemos para a rua para dizer: Basta!", afirmou um bombeiro Manuel Amaro, de 38 anos, com o seu capacete ao seu lado.

"Se não o fizermos, não sabemos onde é que isto vai parar", acrescentou.

RN (ASP).

Lusa/fim