
Estado "tem de mandar" nos bancos onde injetou dinheiro e orientá-los para economia - Louçã
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Lisboa, 19 jul (Lusa)- O coordenador do BE, Francisco Louçã, defendeu hoje que o Estado "tem de mandar" nos bancos que apoiou financeiramente e desenvolver uma "política nacional para o crédito", orientada para a economia e para o emprego.
"Para citar uma antiga ministra das Finanças que todos bem conhecem se é verdade que quem paga manda, então a República Portuguesa tem de mandar nesses bancos, pelos quais pagou quatro vezes o seu valor", afirmou o líder bloquista, numa alusão a declarações da ex-líder do PSD Manuela Ferreira Leite.
Francisco Louçã, que discursava em Lisboa, num jantar para assinalar o fim de sessão legislativa, acusou o Governo de ter levado a cabo "uma nacionalização pateta" no BPI e no BCP, que "só traz para o contribuinte o esforço, o risco e o prejuízo e nenhuma obrigação da responsabilidade pelo crédito, pela economia, pelo emprego".
"Quando olhamos para o que o Governo está a fazer, o Governo acabou de por 5 mil milhões de euros no BPI e no BCP, nos dois casos colocou o capital em empréstimos, em títulos especiais híbridos, quatro vezes o capital do banco, ou seja, o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas nacionalizou o BPI e o BCP pagando quatro vezes o seu valor", criticou.
Na opinião de Louçã, o Estado "tem de mandar" nesses bancos "para fazerem o que a banca tem de fazer numa recessão, ajudar a economia, proteger empresas que deem emprego, proteger as exportações e a substituição de importações, dar vida às pessoas, responder com aquilo que têm e que foram tirar à economia".
"Num país onde se usam tantas meias palavras nós dizemos as coisas como têm de ser ditas, é preciso uma política nacional para o crédito, que ponha ao seu serviço aquilo que é do Estado, todos os bancos que foram comprados, nacionalizados e apoiados, todos eles só podem ter uma prioridade decidida pelas necessidades nacionais, economia, emprego, em vez de tirar salários para pagar os juros, precisamos de uma economia para resolver os problemas da dívida", advogou.
Antes, o coordenador do BE tinha feito referência à investigação que está a ser feita pelo senado norte-americano ao banco inglês HSBC, por alegado envolvimento na lavagem de dinheiro no narcotráfico mexicano, para dizer que o mundo vive "uma criminalidade financeira e organizada" e que as investigações "a algumas instituições financeiras a propósito do recentíssimo processo de privatização da EDP e da REN são mais um alerta".
Louçã deixou ainda críticas às maiores instituições financeiras mundiais, que considerou responsáveis pela crise atual.
"Estamos no sexto ano seguido da crise financeira, começou em 2007 e em 2013 ainda teremos uma crise financeira que arrasta um crise económica gravíssima provocada pela especulação, pela ganância, lavagem de dinheiro, pela corrupção e destruição das economias", disse.
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