
Cavaco confia que "bom senso" acompanhará 'troika' na quinta avaliação ao programa de ajustamento
Lisboa, 19 jul (Lusa) - O Presidente da República diz confiar que "o bom senso" acompanhará a ´troika' na quinta avaliação ao programa de ajustamento que irá decorrer em agosto, insistindo que esse será o momento adequado para inquirir sobre a necessidade de ajustamentos.
"Confio que o bom senso acompanhará a ´troika', em particular nesta quinta avaliação da execução do programa português", afirma o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa entrevista ao semanário Sol, que será publicada na edição desta sexta-feira.
Depois de ter recusado a "especular" sobre a flexibilização do programa no início da entrevista, a questão dos efeitos da execução do memorando de entendimento voltam a ser abordados na parte final, com Cavaco Silva a dizer que o exame trimestral da aplicação do acordo que terá lugar em agosto "é o momento adequado para ver se serão ou não necessários ajustamentos, tendo em conta as alterações na situação internacional".
Na entrevista, em que volta a repetir que o papel decisivo do crescimento económico nos próximos anos será desempenhado pelas empresas privadas e que, portanto, "todo o discurso retórico de ataque à iniciativa privada contribui para o desemprego e para a recessão económica", o Presidente da República fala ainda da Europa apostando num aproximação de posições entre França e Alemanha.
Deixando elogios ao presidente da comissão europeia, José Manuel Durão Barroso, e ao "desempenho muito positivo" que tem tido, nomeadamente chamando a atenção para "atitudes que alguns do norte tomam em relação aos do sul", o Presidente da República renova ainda as críticas à "cacofonia" que tem havido na Europa e fala da sobrevivência do Euro.
"O euro não está em risco de colapso", afiança.
Na entrevista, o chefe de Estado fala também sobre a relação de Portugal com os países lusófonos e, relativamente à situação particular de Angola e dos investimentos que têm sido feitos em Portugal, Cavaco Silva afirma que "os capitais angolanos são bem vindos a Portugal, desde que respeitem as leis portuguesas".
"Só é preciso respeitar as leis do país. É o que espero que os empresários portugueses façam em Angola e os empresários angolanos façam em Portugal", declara, reforçando que não é negativo para nenhum dos países o investimento.
Relativamente ao investimento nos outros países dos PALOP, nomeadamente no Brasil, o chefe de Estado reconhece que há ainda um longo caminho a percorrer.
"A nossa presença na União Europeia e a nossa ligação especial ao mundo lusófono reforçam-se uma à outra", sublinha, defendendo que não se trata de uma questão de complementaridade nem de alternativa.
"As pertenças à União Europeia e à comunidade lusófona valorizam-se uma à outra", enfatiza.
VAM.
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