Urnas abertas para segunda volta das eleições presidenciais no Egito

Urnas abertas para segunda volta das eleições presidenciais no Egito

Cairo, 16 jun (Lusa) - As urnas abriram hoje às 08:00 locais no Egito (07:00 em Lisboa) para a segunda volta das eleições presidenciais, que opõe o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi, e Ahmad Chafiq, antigo primeiro-ministro do presidente deposto, Hosni Mubarak.

Mais de 50 milhões de eleitores são chamados a votar para eleger o Presidente do país, dirigido por militares desde que Mubarak foi afastado, em fevereiro de 2011.

Morsi, que obteve 24,7 por cento dos votos na primeira volta, beneficia do sólido apoio da Irmandade Muçulmana.

Durante a campanha, multiplicou-se em promessas para conquistar votos fora do eleitorado islamita e prometeu preservar os direitos adquiridos com a "revolução" que derrubou Mubarak, não obrigar as mulheres a usar véu islâmico e garantir os direitos da minoria cristã.

Ahmad Chafiq, o último primeiro-ministro da era Mubarak, não poupou críticas "ao perigo islamita" que o seu adversário constitui.

A vitória de um islamita nas presidenciais pode colocar "a nação em perigo", afirmou Chafiq depois de conhecidos os resultados da primeira volta, na qual obteve 23,6 por cento dos votos.

Na quinta-feira, viu a sua candidatura validada pelo Tribunal Constitucional, que considerou inconstitucional uma lei que proibia dirigentes do antigo regime de se candidatarem.

No mesmo dia, o tribunal decidiu que o Parlamento, dominado pelos islamitas, não foi eleito em condições "constitucionais" e que a sua composição "é ilegal". As eleições legislativas realizaram-se no inverno passado, num processo que decorreu em várias etapas.

Segundo analistas, a anulação das legislativas coloca em perigo a transição democrática no Egito e poderá abrir caminho para o Conselho Supremo das Forças Armadas assumir o poder legislativo.

O Egito, país mais populoso do mundo árabe, com 82 milhões de habitantes, foi, depois da Tunísia, o segundo Estado da região a afastar o seu Presidente na sequência de uma revolta popular da chamada 'primavera árabe'.

ROC (EO).

Lusa/fim