O sol morre cedo

Exposição
É o tema de uma exposição temporária que estará patente ao público no Museu da Cidade, em Lisboa, entre 7 de Novembro e 10 de Janeiro de 2010. Ana Manso, André Romão, Joana Escoval e Nuno da Luz são os artistas cujas obras estarão expostas.
O Sol morre cedo concentra trabalhos recentes de quatro jovens artistas portugueses, Ana Manso, André Romão, Joana Escoval e Nuno da Luz. Cada artista apresenta a sua produção actual, num contexto de releitura do espaço de acção deixado em aberto pelo próprio Pavilhão. Enquanto estrutura transparente e opaca, com exterior e interior a interligarem-se e a convergirem um sobre o outro, o Pavilhão assume uma propensão para a auto-reinvenção diária, no jogo que se forma entre Arquitectura e envolvente, e que aqui coordena o pôr-em-cena de cada um dos artistas, ao mesmo tempo que se mantém e se reforça como espaço paradigmático de Exposição, tanto pelo desenho que é executado no seu vazio como pela constante inclusão da envolvente como parte do seu próprio interior.
Ana Manso apresenta pintura, numa convocação de possibilidade na potência, da fé no fazer, do inominável e de uma religiosidade oculta, das quais irrompe um tribalismo latente e corrosivo.
O trabalho apresentado por André Romão, genericamente intitulado Tudo Dura para Sempre, explora as sobreposições, mas também as falhas e ausências de sentido, na contiguidade entre referências e episódios históricos, literários, artísticos, para induzir à abertura de um campo de significado lato, um terreno movediço entre ética e estética, politica e poética, historiografia e misticismo.
O trabalho de Joana Escoval advém de uma tomada de posição que, para lá de simples prática artística, deve antes ser considerada uma atitude de relação para com o mundo: há nesta atitude uma dimensão de não forçar, onde a materialização de objectos provém da disposição do que é encontrado, daquilo que já pertence aos espaços e aos seus ciclos de acção. Devido ao contexto artístico em que são habitualmente mostradas, pode chamar-se de peças ou obras de arte a estas materializações, mas esta nomenclatura surge muito mais por convenção. Tratam-se somente de gestos consequentes de uma existência das coisas.
O trabalho de Nuno da Luz enquadra-se entre uma experimentação da plasticidade sonora, destacando-se a acústica e a ressonância como presenças recorrentes, e uma atenção particular às especificidades do Lugar. Ambos os campos procedem de uma antropologia sonora, de carácter tanto enciclopédico como resultado de vivências próprias. O trabalho em exposição surge dessa valência de recolha do conhecimento e de uma tentativa-processo de devolução, num fluxo ecológico.

