Sargentos e praças vão entregar ao PM protesto contra desigualdades entre portugueses

Sargentos e praças vão entregar ao PM protesto contra desigualdades entre portugueses

Lisboa, 25 jun (Lusa) - As associações de sargentos e de praças vão entregar hoje, em S. Bento, um protesto contra os cortes orçamentais, os quais, segundo defendem os responsáveis dos dois órgãos, põem em causa a coesão nacional e revoltam os militares.

"Face a todas as dificuldades que os portugueses em geral estão a enfrentar e a que os militares não são obviamente imunes, entendemos, enquanto associação socioprofissional, levar a efeito esta iniciativa e fazer chegar [uma moção] ao chefe do Governo", explicou à agência Lusa o dirigente da associação de sargentos, Lima Coelho.

De acordo com este responsável, tentar estabelecer um diálogo com o primeiro-ministro é "uma atitude de lealdade" e visa abordar matérias "que concorrem para o bom desempenho das Forças Armadas".

Entre as questões apontadas na moção, referiu o dirigente da associação de praças, contam-se as reduções de remunerações com os cortes dos subsídios de férias e de natal - situação considerada de "duvidosa constitucionalidade" -, o alegado incumprimento do regime de incentivos aos militares em regime de contrato e a necessidade de obter clarificações sobre fundos de pensões, reforma da saúde militar e promoções.

Além disso, acrescentou Luís Reis, as associações pretendem passar a acompanhar as "matérias mais importantes para os militares que estão em processo de elaboração".

Para estes militares - que aprovaram a moção de protesto durante uma concentração em frente ao ministério das Finanças, no final de maio -, há decisões políticas que estão a pôr "portugueses contra portugueses".

"Quando, ao arrepio da própria Constituição, não se aplicam leis equitativas, proporcionais e que prevejam e defendam o princípio da igualdade, do equilíbrio e da proporcionalidade, está-se a pôr em causa a coesão nacional, a dividir os portugueses e a minar aquilo que é fundamental, que é trabalharmos todos para o mesmo fim", considerou Lima Coelho.

Para estes dirigentes das associações, os militares não podem ficar "de braços estendidos" perante a situação de desigualdade entre setor público e setor privado.

"É muito grave e muito preocupante porque o tal fator da coesão nacional começa aqui a ser ferido", afirmou o dirigente dos sargentos.

A entrega da moção será feita às 17:30 na residência oficial do primeiro-ministro, em S. Bento, Lisboa.

PMC.

Lusa/fim.