
Mar: Açores asseguram 40 por cento da investigação marinha feita nas Regiões Ultraperiféricas da UE - investigador
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Horta, 09 jul (Lusa) - Os Açores asseguram cerca de 40 por cento da investigação científica marinha que é feita pelas Regiões Ultraperiféricas da União Europeia, revelou hoje Ricardo Serrão Santos, pró-reitor da Universidade dos Açores.
"No âmbito das regiões ultraperiféricas europeias, os Açores são a que alcançou maior importância no domínio das Ciências do Mar, em especial nas disciplinas biológicas e afins, representando cerca de 40 por cento da investigação científica de relevância internacional", frisou Ricardo Serrão Santos, que falava na abertura do II Fórum Conhecer o Mar dos Açores, que decorre até terça-feira na Horta, Faial.
O pró-reitor da Universidade dos Açores para os Assuntos do Mar recordou que o arquipélago constitui um "laboratório natural marinho" com interesse para o desenvolvimento da investigação científica, mas também uma "oportunidade" para diversas atividades económicas.
Ricardo Serrão Santos manifestou, no entanto, preocupação, pela redução de verbas que se tem verificado ao nível da investigação nas instituições públicas, como a Universidade dos Açores, na sequência do período "muito difícil" no contexto internacional.
"Esta crise tem tido e terá reflexos nos setores mais imediatos das nossas vidas, nos salários familiares, na estabilidade dos contratos (incluindo os bolseiros), no acesso ao emprego e às bolsas, no acesso ao financiamento e, infelizmente, também na gestão dos financiamentos anteriormente obtidos, quando são feitos por instituições públicas", alertou.
Apesar destas dificuldades, Ricardo Serrão Santos defendeu a necessidade de se "continuar a investir" na investigação, em especial das fontes hidrotermais de profundidade que existem ao largo dos Açores.
"É preciso continuar a investir, formar, ter equipamentos e infraestruturas que permitam aceder de modo próprio a esses recursos e ao seu conhecimento", frisou.
Esta posição foi também defendida por José Contente, secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, recordando que, entre as 60 bolsas de doutoramento que o Governo dos Açores colocou a concurso este ano, metade estão ligadas aos assuntos do mar.
"Isto revela bem a importância do tema da investigação marinha", afirmou, frisando a importância de os Açores terem uma "posição forte" em matéria de exploração dos recursos minerais que se encontram no fundo dos oceanos.
José Contente garantiu que o Governo dos Açores "vai continuar a apostar fortemente" na universidade, para que a Região possa estar preparada, científica e juridicamente, para os "novos piratas e corsários do Atlântico" que pretendam fazer exploração mineral nas águas da região.
O fórum que hoje começou na Horta reúne dezenas de cientistas nacionais e internacionais, que vão discutir temas como a biodiversidade, as pescas, o ordenamento e a gestão do espaço marítimo, a oceanografia, a meteorologia e as alterações climáticas.
RF.
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