Menos 10% de passageiros em 2012 na Transtejo, presidente admite não haver margem para aumentos

Menos 10% de passageiros em 2012 na Transtejo, presidente admite não haver margem para aumentos

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Lisboa, 15 jul (Lusa) - O presidente do conselho de administração do grupo Transtejo, João Pintassilgo, afirmou à Lusa que as ligações fluviais no Tejo na região de Lisboa perderam 10% dos passageiros em 2012, admitindo não haver margem para nova subida dos tarifários.

"A perda de passageiros acumulada de 2012 é de 10%, comparando com período homólogo do ano anterior, o que significa que no total de todas as ligações há menos um milhão de viagens nos primeiros cinco meses do ano", disse, referindo-se ao período entre janeiro e maio.

João Pintassilgo apontou o aumento do desemprego como uma das principais causas para a redução da procura nas horas de ponta, mas lembrou que nos últimos anos, nas 'horas de vazio' (fora das horas de ponta e ao fim de semana), já se vinha a registar uma perda. O presidente do grupo público (com duas empresas, a Transtejo e a Soflusa) que faz as ligações fluviais entre a Margem Sul e Lisboa referiu que o aumento do tarifário é também uma causa e admitiu que se chegou ao limite.

"Se do lado do operador o aumento veio repor uma correção de muitos anos da não atualização do tarifário pela taxa de inflação, agora estamos nos limiares da rotura da elasticidade. Se puxarmos mais, pode existir uma rotura com a procura, que pode levar as pessoas a procurar outro tipo de transporte", defendeu.

"Penso que não há no curto prazo condições, a não ser atualizações pela taxa de inflação. Não é aconselhável fazer aumentos, mas será o acionista Estado a tomar a opção política", acrescentou.

O grupo Transtejo tem procurado tomar medidas para aumentar a eficácia e reduzir desperdícios, tendo reduzido em 2011 a oferta na ligação do Seixal e do Montijo (menos viagens) e, em 2012, a oferta em todas as ligações fora das horas de ponta. Regista-se também uma redução da velocidade dos barcos entre o Barreiro e Lisboa, fora das horas de ponta e fim de semana, que entra hoje em vigor.

O responsável sublinhou que a mudança de velocidade vai permitir arrecadar 400 mil euros por ano e que se calcula o impacto da redução da oferta em um milhão de euros. "Em maio deste ano estávamos, a nível de gastos, a zero, porque apesar de reduzirmos 4% com pessoal, 19% em serviços externos e 6% em combustíveis, tivemos aumento de 26% em encargos financeiros. Ou seja, poupamos de um lado e gastamos do outro, o que por vezes se torna frustrante", explicou.

A redução da velocidade nos barcos entre Lisboa e o Barreiro, que vai aumentar o tempo de viagem em cinco minutos, deve-se ao facto de esta ser a frota com catamarãs maiores e com maior consumo de combustível, mas os horários serão mantidos.

"Não sei se não fomos demasiado ambiciosos no serviço que queríamos prestar, porque não houve a contrapartida do custo da viagem. Quando a viagem do Montijo para Lisboa levava quase uma hora e se passa para 25 minutos, com o tarifário a manter-se pelo aumento da inflação, não há milagres. Foi uma opção tomada na altura, mas que tinha que ter custos", salientou.

O responsável referiu que os aumentos dos combustíveis e dos juros dos empréstimos são as causas dos problemas financeiros, com o grupo a acumular um total de 140 milhões de dívida.

"Temos vivido com a dilatação das linhas de crédito que os bancos vão concedendo, mas sempre que prorrogam o prazo, lá vai spread", afirmou, referindo que para já não está prevista qualquer nova medida de fundo.

João Pintassilgo esclareceu que foi feito um orçamento que previa a receção de 11 milhões de euros de indemnizações compensatórias, mas só serão recebidos oito milhões.

O grupo Transtejo é composto pela empresa Soflusa, responsável pela ligação entre o Barreiro e Lisboa, e pela Transtejo, que faz as ligações entre Cacilhas (Almada), Montijo, Seixa, Trafaria (Almada) e Lisboa.

AYL.

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