Aviação: "Sonho" da Embraer na cabeça dos jovens que estão a ser formados em Évora

Aviação: "Sonho" da Embraer na cabeça dos jovens que estão a ser formados em Évora

*** Rita Ranhola (texto) e Nuno Veiga (fotos), da Agência Lusa ***

Évora, 15 jul (Lusa) - A instalação de duas fábricas da Embraer em Évora, a inaugurar em setembro, "despertou" o interesse pela aeronáutica na cidade, onde "nasceu" um polo de formação especializado frequentado por 200 jovens, cujo sonho é trabalhar na empresa brasileira.

Um desses exemplos é Daniel Garfo, de 34 anos, que frequenta um curso de Maquinação CNC no polo centrado na aeronáutica e criado, no ano passado, no Centro de Formação Profissional (CFP) de Évora.

"Tenho uma máquina deste tipo e não estava a conseguir trabalhar com ela. Portanto, decidi tirar este curso", diz à Agência Lusa, admitindo, de seguida, que a sua opção se deve também a "todas as expetativas à volta da aeronáutica, já que vai abrir a Embraer".

Na linha do horizonte, para si e "para a maior parte das pessoas" que frequenta cursos idênticos, está o desejo de, após a formação, entrar na construtora aeronáutica brasileira.

"Não deixa de ser um curso, mas dá-nos todas as bases para podermos evoluir dentro de uma indústria como a da aeronáutica, super exigente e com padrões de qualidade de topo", afirma, sublinhando: "Não é uma simples fábrica, é o topo das fábricas. É uma fábrica de aeronáutica".

Luís Miguel Silva, diretor do CFP de Évora do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), está bem ciente destes anseios ligados à Embraer e sabe que se podem tornar realidade.

"Iniciámos a formação, em 2011, com um curso de Maquinação CNC. Do conjunto de 13 formandos, oito foram contratados pela Embraer e mais dois ou três por outras empresas", pelo que "a taxa de empregabilidade é bastante alta", disse.

A escolha de Évora pela empresa brasileira foi, de facto, o que "espoletou a criação do polo de formação" que ministra cursos especializados nas áreas da metalomecânica e compósitos, mas o diretor do CFP não reduz à aeronáutica as saídas profissionais dos atuais "200 formandos".

As indústrias "naval, automóvel, de moldes e metalomecânica de uma forma geral" estão também na "mira" desta valência do CFP de Évora, equipada com "o que de mais recente e moderno existe em termos tecnológicos".

"Naturalmente, tendo a Embraer instalado dois 'centros de excelência' na cidade", esse "é o sonho para muita gente", mas a empresa "não terá capacidade para absorver a totalidade dos formandos", alertou, embora convicto de que o país tem, "felizmente, indústrias fora de Évora" capazes de empregar "esta mão de obra" altamente especializada.

No CFP, no edifício construído de raiz para qualificar a base de recrutamento da Embraer, Fernando Reis, de 31 anos e aluno de Montagem de Estruturas, também alimenta a "esperança de, um dia, conseguir entrar" nessa empresa.

"A Embraer parece-me uma empresa digna e de excelência. É esse o objetivo, até porque quero residir nesta terra bonita que é Évora, manter cá a família, conseguir um posto de trabalho e seguir, neste tempo de crise que não é fácil, mas estamos cá para dar a volta ao assunto", assegura.

RRL.

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