Londres2012: Ciclismo (BTT) - David Rosa com a responsabilidade e o orgulho da estreia

Londres2012: Ciclismo (BTT) - David Rosa com a responsabilidade e o orgulho da estreia

Lisboa, 15 jul (Lusa) - Portugal vai participar pela primeira vez na vertente BTT de ciclismo nos Jogos Olímpicos e David Rosa carrega o peso da estreia em Londres2012, com um sentimento de responsabilidade e orgulho.

Na capital britânica vão estar alguns dos 50 melhores atletas do mundo na disciplina de "cross-country" e, por isso, o português prevê uma prova muito competitiva, para a qual promete máximo empenho, de forma a "dignificar o país". Mas terá de esperar até 12 de agosto, último dia dos Jogos Olímpicos.

"Quero terminar a prova, que acaba por ser o mais importante, e simplesmente deixar tudo na pista, chegar ao fim e saber que dei tudo. Isso seria aquilo que me deixaria mais satisfeito. Quanto ao resultado, gostava de fazer um 'top 30', mas é difícil", disse à Lusa o "betetista" de Fátima, 54.º do "ranking" mundial, que será o último português a competir em Londres2012.

A corrida vai disputar-se em Hadleigh Farm, no condado de Essex, a nordeste de Londres, numa pista artificial que, segundo David Rosa, foi desenhada em terreno aberto para proporcionar boas transmissões televisivas. Oferece poucas dificuldades técnicas a subir, mas é dura, porque não tem pontos de descanso entre subidas, e as partes mais técnicas situam-se em descidas.

Embora tenha começado a perceber em 2009 que era possível chegar aos Jogos Olímpicos, a qualificação foi um acontecimento inesperado, uma vez que Portugal terminou o ciclo de apuramento no 25.º lugar do "ranking" de nações, um abaixo do Chipre, que ocupou a última posição de acesso direto. E foi um azar alheio que garantiu a vaga a Portugal.

"Trabalhámos muito para ficar no 'top 24'. Ficámos em 25.º a muito pouco do 24.º. Houve vários países que combateram pelo 25.º, porque na iminência de acontecer alguma coisa com um atleta de outro país, a vaga passava para o 25.º. Assim foi. A suécia não vai e vamos nós. Acaba por ser um prémio por todo o trabalho que tivemos", explicou o corredor, tricampeão nacional da disciplina, de 25 anos.

David Rosa viu assim recompensado todo esforço em prol da qualificação, que o obrigou a abdicar este ano da atividade de professor de educação física em Ourém. "Como teria de fazer muitas provas no estrangeiro para ir buscar mais pontos, tive de deixar, porque era uma atividade a recibo verde e, como iria passar mais tempo fora do que cá, ia estar praticamente só a pagar segurança social, fora o desgaste que atividade me ia dar, tendo em conta que precisava de manter um nível elevado entre janeiro e maio", contou, lamentando a falta de apoio que alguns atletas de alta competição têm Portugal.

A atividade como professor acabou por um dos sustentos da sua qualificação, pois algumas das suas saídas foram suportadas com o ordenado e com os prémios que ganhou em provas realizadas em Portugal, além de uns patrocinadores que angariou, um investimento que acabou por ter o retorno desejado.

"Sinto um pouco de orgulho, mas acima de tudo responsabilidade. É uma modalidade com um número de praticantes muito elevado, se contabilizarmos os amadores. Por outro lado, é a responsabilidade de representar o nosso país no maior evento multidesportivo do mundo", acrescentou David Rosa, que começou a competir a em 2002 por influência de uns primos.

Sobrinho-bisneto dos pastorinhos Francisco e Jacinta e natural de Fátima, o que lhe vale a alcunha de "pastorinho", David Rosa foi a dada altura orientado pelo pai, também professor de educação física, que lhe corrigiu os métodos de treino. Hoje, trabalha entre uma hora e meia e quatro horas por dia e já só pensa nos Jogos Olímpicos.

PA.

Lusa/fim