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Londres2012: Ciclismo (estrada) - Rui Costa vê os Jogos como uma "motivação única"
Lisboa, 15 jul (Lusa) - Entre o fim da Volta a França em bicicleta e a prova de fundo dos Jogos Olímpicos medeiam apenas seis dias, mas as desgastantes três semanas do Tour não retiram entusiasmo a Rui Costa para competir em Londres.
"A motivação para os Jogos Olímpicos é única. Afinal é o maior evento [desportivo]. Todos, em todos os desportos, querem estar no seu melhor nível. Eu não vou estar ao meu melhor nível, porque no Tour vou ter de sofrer muito para aguentar até onde puder, ver até onde posso chegar e, logo, pensar nos Jogos Olímpicos. São seis dias depois do Tour, não há muito a fazer. Praticamente é descansar, só", disse Rui Costa à agência Lusa.
Estreante em Jogos Olímpicos, o corredor da Póvoa de Varzim, promete, "sem dúvida", dar o seu melhor por Portugal. "É o maior evento e é aí que as coisas têm de sair bem. Espero que seja assim para mim e para os meus companheiros", reforçou Rui Costa, que vai estar acompanhado na capital britânica por Nelson Oliveira e Manuel Cardoso, também eles na primeira presença olímpica.
Assumindo papel de "outsiders", os três corredores portugueses deverão estar alerta para as oportunidades que possam surgir numa corrida de 250 quilómetros, com partida e chegada bem no centro de Londres e uma boa parte (144 km) disputada num circuito com uma ligeira subia a percorrer nove vezes, onde as equipas com grandes sprinters tentarão evitar surpresas.
"Normalmente, saímos com uma ideia para a prova, mas só com o decorrer é que vamos tirando conclusões. Haverá que estar atento às movimentações durante a prova e também não esquecer que temos o Manuel Cardoso, que é um grande finalizador, que pode dar garantias aí", explicou o corredor da equipa espanhola Movistar.
Em Atenas2004, Sérgio Paulinho "perdeu" o ouro para o italiano Paolo Bettini numa luta a dois, mas conquistou a prata e deu a Portugal a sua única medalha olímpica no ciclismo, um feito que será difícil repetir, porque os perfis das corridas não são semelhantes.
"Quando o Sérgio ganhou [a medalha de prata], o tipo de percurso era diferente. O deste ano está traçado para sprinters, é o que se diz. Certamente irá favorecê-los, nomeadamente o inglês Mark Cavendish, campeão do mundo", explicou. "O circuito tem partes com alguma dificuldade, mas os últimos 40 quilómetros são planos. Portanto, é estar atento às movimentações e ver o que pode sair daí. Se não, temos o Manuel Cardoso", acrescentou.
Cumprir os 3.500 quilómetros do Tour, chegar aos Campos Elísios, em Paris, e começar a pensar nos 250 quilómetros da corrida de Londres pode parecer um sacrifício, mas para Rui Costa é um modo de vida. "Acho que nasci para isto. Antes fazia atletismo, mas desde que me agarrei ao ciclismo... é o que sei fazer. Acho que não me via em outro lado que não fosse o ciclismo", confessou.
"Isto não me custa nada. Adoro fazer isto, adoro a minha rotina diária. Às vezes ponho-me a pensar: se não fosse ciclista... não sei. Estou tão habituado a esta rotina. Tirando os períodos em que estou em casa, é a 1.000 por hora", acrescentou Rui Costa, que recebeu a primeira bicicleta de ciclismo aos 11 anos e nunca mais parou.
PA.
Lusa/fim






































