Arranque da barragem de Odelouca, no Algarve, garante água por três anos e alivia agricultura

Arranque da barragem de Odelouca, no Algarve, garante água por três anos e alivia agricultura

Faro, 13 jun (Lusa) - A entrada em funcionamento da Barragem de Odelouca, Silves, a única no Algarve cuja água é exclusivamente para consumo público, vai garantir que não falte água na região até 2015 e que seja disponibilizada mais água para a agricultura.

A barragem, cujo primeiro projeto tem quase 40 anos, começou a fornecer água aos consumidores no início de junho, uma data que assinala um "marco histórico", disse à Lusa o administrador da Águas do Algarve, responsável pela obra.

A maior barragem do Algarve vai permitir não só garantir reservas de água para os próximos três anos, mesmo que não chova na região, como acabar com as 'guerras' que existiam devido à partilha da água pela agricultura e pelo consumo público.

"A partir do momento em que existe Odelouca, a água que aflui à albufeira do Funcho será para a agricultura", afirma Artur Ribeiro, lembrando que, até aqui, a barragem do Funcho fornecia água para ambos, enquanto que a do Arade se destinava apenas à agricultura.

A barragem de Odelouca começou a ser construída em 2001, mas a obra parou pouco depois, primeiro devido a uma queixa de organizações ambientalistas em Bruxelas contra o Estado e, mais tarde, devido a um contencioso entre este e a construtora.

A gestão da barragem, inicialmente a cargo do Instituto da Água (Inag), foi entregue à Águas do Algarve em dezembro de 2006 e as obras recomeçaram em fevereiro de 2007, ficando concluídas em finais de 2010.

"Neste momento, a Águas do Algarve pode dizer que tem o seu sistema multimunicipal de abastecimento de água perfeitamente consolidado", sublinha Artur Ribeiro, acrescentando que Odelouca tem mais água do que o sistema Odeleite/Beliche em conjunto.

A barragem de Odelouca, que tem capacidade para armazenar 105 milhões de metros cúbicos de água, estava no início de junho, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Águas do Algarve, a 94,3 por cento da sua capacidade máxima.

Artur Ribeiro lembra que o Algarve vive um período de seca e sublinha os esforços que a empresa fez em 2004 e 2005, quando a região foi atingida por uma situação de seca extrema, embora não tenha chegado a faltar água para abastecer a população.

Exemplo desse esforço foi a construção de duas estações elevatórias reversíveis, na zona central do Algarve, que permitem a passagem de 600 litros de água por segundo entre o sistema composto pelas três barragens do barlavento (oeste) e o sistema Odeleite/Funcho (este).

No ano passado, o Algarve consumiu 65 milhões de metros cúbicos de água, em 2010 gastou 67 milhões e, em 2009, 71 milhões.

MAD/SCYS (JMP).

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