Mundo rural volta a ser valorizado perante desafios da economia e população

Mundo rural volta a ser valorizado perante desafios da economia e população

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Lisboa, 29 jul (Lusa) - O crescimento da população, a crise económica e as alterações climáticas trazem novos desafios ao mundo rural e a economia camponesa voltou a ser valorizada em muitas regiões, incluindo Portugal, defendeu hoje o sociólogo Boaventura de Sousa Santos.

"Está a surgir uma revalorização da economia familiar ou economia camponesa, o que acontece também em Portugal", porque a crise obriga a que muitos que tinham abandonado as suas terras tentem recuperá-las, principalmente no norte e centro, regiões de minifundio", disse à agência Lusa o especialista.

Devido à crise financeira e à crise ambiental, "há pessoas que estão a regressar ao campo de várias formas", e a valorizar este modo de vida, por exemplo, ao apostar em produtos agrícolas sem agrotóxicos, salientou, além de referir as hortas urbanas, que estão a surgir em todo o mundo.

O diretor do Centro Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra falava à Lusa a propósito da realização do XIII Congresso Mundial de Sociologia Rural da Associação Internacional de Sociologia Rural, que vai decorrer em Lisboa a partir de segunda-feira.

Mais de mil congressistas de vários países vão participar no encontro com o tema "O Novo Mundo Rural das Crises às Oportunidades", para abordar assuntos como a crise alimentar global, as mudanças climáticas, a proliferação de guerras e a crise financeira global.

Para Boaventura de Sousa Santos, que vai ter uma intervenção no congresso, a iniciativa permite analisar os temas nas escalas nacionais, regionais e globais.

"A grande atualidade deste congresso é que estamos num contexto que, por razões da crise financeira e económica, por um lado, e da crise ambiental, por outro, nos leva a repensar o que é o mundo rural e qual a contribuição que pode dar para os desafios que não são apenas económicos, são civilizacionais", frisou.

O mundo rural "tem hoje uma nova atualidade". Com a crise alimentar, a subida e a especulação financeira sobre as sementes e os cereais, os preços dos produtos alimentares têm "subido extraordinariamente", nos últimos anos, o que significa que "vão lançar mais pessoas na subnutrição e na fome", segundo Boaventura de Sousa Santos.

Assim, "hoje mais do que de segurança alimentar, falamos em soberania alimentar ou que cada país, na medida do possível, produza os bens agrícolas que consome, e Portugal podia fazê-lo", defendeu.

Atualmente, metade da população estará a viver em cidades, mas em África, por exemplo, 70% das pessoas estão no campo, criando uma situação "desigual" de continente para continente, "o que faz com que análises e leituras globais possam penalizar algumas regiões, como África ou Ásia".

No entanto, Boaventura de Sousa Santos recrodou que, "estejam nas cidades ou no campo, as pessoas precisam daquilo que tradicionalmente foi produzido no mundo rural, que é a alimentação, e esse é que é o grande desafio, quando a população mundial cresce".

Entre os participantes no congresso estão o diretor-geral da FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, Graziano da Silva, os investigadores britânicos Susanne Friedberg, Stuart Holland, Tim Lang e Terry Marsden, além do fundador da Sociologia da Agricultura William Friedland.

EA

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