
Portugal recebeu 593 alertas de poluição em águas nacionais desde 2005
Porto, 05 ago (Lusa) - A Marinha portuguesa recebeu 593 alertas de poluição em águas nacionais desde 2005, a maioria através de monitorização satélite, mas em apenas 60 destes casos houve uma intervenção por parte das autoridades.
Segundo dados avançados hoje à agência Lusa pela Marinha Portuguesa, do total de alarmes para focos de poluição em águas nacionais, no período disponibilizado, 319 resultaram de relatos produzidos pelo sistema de monitorização via satélite "Cleanseanet".
Trata-se de uma informação assegurada pela Agência Europeia de Segurança Marítima e cujas observações incidiram "maioritariamente" em águas da Zona Económica Exclusiva (ZEE) nacional, entre Portugal continental e ilhas.
Entre o início de 2005 e 30 de junho de 2012, os restantes 274 alarmes resultaram em relatos de poluição efetiva de "pequena dimensão" e "reportam-se às zonas costeiras e áreas portuárias".
"No período em referência, foram diligenciadas e tomadas ações em 60 episódios de poluição do mar pelos organismos com responsabilidade de atuação nesta área de acordo com o Plano Mar Limpo", explicou a Marinha.
Estes acidentes demoraram, em média, "entre dois a três dias" para serem solucionados, sendo que a intervenção da Marinha decorre ao abrigo do plano de contingência "Plano Mar Limpo", que se divide em quatro níveis de intervenção em função da gravidade do derrame e que pode decorrer no mar ou na costa.
O último grande acidente de poluição registado em Portugal aconteceu junto à costa da ilha do Faial, Açores, quando o navio "CP Valour", que seguia para Espanha com cerca de 500 contentores a bordo, encalhou, a 09 de dezembro de 2005.
Segundo a Marinha, este foco "demorou cerca de seis meses a ser combatido".
"Os dados disponíveis demonstram ainda que a variação do número de acidentes de poluição se tem mantido constante, apesar de se verificar uma tendência crescente do tráfego marítimo na nossa zona costeira", sublinha a mesma fonte.
A prevenção tem concentrado a ação da Autoridade Marítima Nacional, como "o afastamento das linhas de separação de tráfego junto ao Cabo de São Vicente", cujo ponto de convergência "concentra a inúmera navegação que demanda os portos do norte da Europa proveniente do Mar Mediterrâneo e vice-versa".
PYJ.
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