
Purgueira: A "planta do futuro" que viajou nas caravelas da América para Cabo Verde
António Martins Neves (Texto), Miguel A. Lopes (Fotos) e Jorge Coutinho (Imagem), da agência Lusa
Lisboa, 10 ago (Lusa) - Viajou do México até Cabo Verde, nas caravelas portuguesas, serviu para iluminar as ruas de Lisboa e ganhou nome por resolver a prisão de ventre. A purgueira já faz voar aviões e perfila-se como uma "planta do futuro".
No Jardim Botânico, em Lisboa, uma equipa de cientistas estuda-lhe há três anos as características, numa estufa onde há "jatropha curcas", nome científico da planta, de 80 proveniências diferentes, de África a Ásia e às Américas, distibuída por três centenas de vasos.
Contudo, nem mesmo na estufa se conseguem reproduzir em Portugal as condições de calor e humidade que fazem crescer as purgueiras, que chegam a atingir os cinco metros de altura e a produzir 2,5 toneladas de sementes por hectare, como já acontece na Índia.
O projeto, que inclui a caracterização genética e o estudo das doenças e pragas que atingem a espécie, foi iniciado a pedido de uma empresa que admitia desenvolver aplicações da planta em África, explicou à agência Lusa a investigadora Maria José Silva, 52 anos, coordenadora da equipa.
Na Europa, garante, só a Universidade de Wageningen, na Holanda, está a desenvolver um projeto semelhante com a planta que, tal como o rícino, se for consumida em pequenas doses ajuda a combater a prisão de ventre, o que lhe valeu o nome porque foi batizada em África. Em Cabo Verde chegou mesmo a ser a planta mais abundante.
É na Ásia, contudo, que o uso da planta está mais avançado. A Índia tem as maiores plantações do mundo e, no Japão, uma marca de automóveis está a estudar as pequenas alterações necessárias para comercializar viaturas cujos motores passem a consumir o óleo clarinho das purgueiras.
Para ser usado nos motores a gasóleo, basta ser filtrado, ao contrário dos restantes biocombustíveis, que necessitam de outros tratamentos químicos que penalizam a sua utilização do ponto de vista económico.
"No anos 1960, a Mercedes pôs uma viatura a andar 20 mil quilómetros exclusivamente com este óleo", conta Maria José Silva.
Se o futuro do óleo produzido a partir da planta de cheiro pouco agradável pode passar pela substituição do petróleo e dos combustíveis que fazem mover os automóveis, o presente acontece no ar. Já foram realizados voos de aviões comerciais exclusivamente com óleo de purgueira e há companhias que voam com 50 por cento daquele combustível.
"Há, claramente, em todo o mundo, um forte interesse por esta planta", afirma a engenheira agrónoma do Centro de Ecofisiologia, Bioquímica e Biotecnologia do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT).
Presumem os cientistas que a "jatropha" foi levada por marinheiros portugueses do México para Cabo Verde, por volta do século XVI, cumprindo a prática comum na altura de levar plantas de uns continentes para outros.
Apesar de ser usada na alimentação humana na sua origem, no arquipélago então colonizado por Portugal, sem que se perceba ainda porquê, a planta ganhou características tóxicas que impediam as abundantes cabras das ilhas de a incluír na sua dieta.
O facto conduziu à proteção da espécie e contribuiu para a sua multiplicação, nomeadamente para formar vedações naturais, mas décadas depois seriam as próprias autoridades coloniais a incrementar a produção, na altura para fazer sabão com o óleo, que também era usado para aquecimento ou iluminação pelos ilhéus.
Essa utilidade acabaria por levar à sua exportação para Portugal, onde veio substituir o azeite, mais caro, como fonte de iluminação nas ruas de Lisboa, nas décadas de 1830 e 1840, e originar as fábricas de sabão na margem Norte do rio Tejo.
"O famoso sabão de Marselha também era feito com óleo de purgueira", recorda Maria João Silva.
Entretanto, a toxicidade deixou de ser um obstáculo, e foram desenvolvidos métodos que permitem que o bagaço resultante da obtenção do óleo possa ser dado como ração a animais ou usado para fertilizar solos.
Sendo da família da planta da borracha, a purgueira também é rica em latex. Basta arrancar-lhe uma folha para que comecem a brotar gotas desta substância, cujas características estão a ser estudadas, mas que a investigadora do IICT admite poderem ter uma vasta utilização em medicina.
Com mais estas duas vertentes, a purgueira ganha pontos para se tornar na "planta multi-usos" que investigadores viam nela há muitos anos, neste caso numa vertente mais sustentável, ao vir proporcionar alimento para gado e latex às populações das zonas inóspitas onde consegue sobreviver, e a quem já possibilita aquecimento e iluminação, além de evitar a erosão dos solos e a consequente desertificação.
Pelo lado industrial, a purgueira também se apresenta como forte candidata ao pódio das espécies mais rentáveis, para produzir biocombustíveis pela característica que a distingue do milho, do sorgo, da soja, do amendoim ou da palma: não é consumida pelo homem, ao contrário de todas as outras.
E em climas com bastante humidade, as plantas podem mesmo dar duas produções por ano, em vez de uma única.
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Para mim o azeite de pulga como é conhecido em S.Nicolau-Cabo Verde é um remédio Santo. Desde pequenina eu venho sendo medicada por ele, nas dores de barriga, para atenuar a febre alta em dentição deitava uma gota na muleira e freccionava-me no corpo como conta minha mãe era tira e queda e a fefbre desaparecia, na gripe fazia-me um banha quente de seguida a friccionava-me o óleo atrás das orelhelha na nuca, no peito na fronte, e cobria-me com um lençol eu transpirava muito e estado gripal passava, nas dores menstruais faça frcção no baixo ventre a dor passa. Quando tenho dores entramus****lares faço fricção as dores passa. A minha irmã tinha broquite e foi medicada para comer um ovo estrelado no azeite de pulga e logo seguida isso lhe provocou vómitos, para que arrancasse a doença que encontrava adormecido no peito como dizem a medicina popular e isso resultou. De modo que até então na minha casa não acabo azeite de pulga tenho muita fé com ele, eu os meus filhos e toda minha familia usamos o azeite como tratamento tradicional. Foi também muito utilizado pela minha avô para acender candieiro, lamparina, cafuca para iliminar a casa e acender fotche quando iam fazer rega nos regadios à noite. A minha avô usava também para fazer sabão. Agora no hábito alimentar tenho experiências negativas, uma vez por engano uma vizinha colocou azeite de pulga ao invez de azeite doce na comida, todas as pessoas que comeram esta comida tiveram diarreia e vómitos, provocou um efeito imidiato e tivemos de levar-las para o hospital para desentoxicá-las e de seguida deram- lhes caldo de galinha a****nte para hidratarem porque ficaram sem energia.Em S Nicolau essa planta tem muito valor desde dos tempos primórdios e continua a ser muito valorizada, só que com a escassez das chuvas a espécia está quase a desaparecer, mas contuem a produzir o azeite ainda pelo metódo tradicional porque a produção é escassa.Na ilha do Fogo e Santo Antão ainda também faz-se a produçao do azite pulga. É bom que continuem a investigar sobre o valor dessa planta que para ela tem muitas própriedades que poderão ser aproveitadas decerteza na medecina, como combustível, na alimentação como já mencionar os investigadores. Que haja muito sucesso na vossa pesquisa a humanidade tem muito a ganhar com isso. Força.