Morreu António Alçada Baptista

Óbito
O escritor António Alçada Baptista morreu hoje cerca das 15 horas, aos 81 anos. O corpo vai ser velado na Igreja das Mercês, em Lisboa, sendo segunda-feira levado para o Cemitério dos Prazeres.
Licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito de Lisboa, António Alçada Baptista distinguiu-se como escritor e editor, tendo sido dos fundadores da revista O Tempo e o Modo e director da Moraes Editora entre 1957 e 1972. Dirigiu o jornal O Dia (1975) após a Revolução de Abril e foi presidente do Instituto Português do Livro. Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo em 1995.
O deputado e poeta Manuel Alegre lamentou hoje a morte do escritor e amigo António Alçada Baptista, de 81 anos, e descreveu-o como uma "figura marcante da cultura portuguesa".
Em declarações à Agência Lusa, Manuel Alegre sublinhou ainda o papel político do ensaísta e romancista nascido na Covilhã, em 1927, "na luta pela democracia em Portugal". "Era uma figura multifacetada, com uma cultura vastíssima, e um homem muito afectuoso nas suas relações, com os amigos e a família", recordou o poeta.
Lembrou ainda "o papel importante" no estreitamento das relações de Portugal com o Brasil, e com os países africanos de língua oficial portuguesa, como editor, e como fundador e presidente do Instituto Português do Livro até 1986.
A morte de António Alçada Baptista "constitui uma grande perda para a cultura portuguesa", na opinião de Vasco Graça Moura que, em declarações à Lusa, destacou o papel do escritor na luta pela democracia em Portugal. "Era um amigo de há muitos anos e é com muito pesar que o vejo partir", lamentou o escritor e político.
Para Vasco Graça Moura, Alçada Baptista era "um indisciplinador da alma que contribuiu para a consciencialização de muitos cidadãos", além de um "excelente ensaísta, dotado de uma grande bagagem mental, sempre preocupado com a condição humana". Da obra de Alçada Baptista, Graça Moura destacou o livro Peregrinação Interior I - Reflexões Sobre Deus.

