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Sentido das Letras / Copyright 2008 - 8/8/2009 3:49 PM

Os lucros dos bancos apesar da crise

Apesar da falada crise mundial, os cinco maiores bancos portugueses tiveram um lucro de 1.067 milhões de euros neste primeiro semestre de 2009. CGD, BCP, BPI, BES e Santander Totta tiveram receitas 24% superiores em relação ao mesmo período do ano passado. Será este o sinal de que a economia está a recuperar?

Os resultados são animadores. Os cinco maiores bancos nacionais demonstraram subidas nas receitas neste primeiro semestre de 2009. Os lucros chegam quase a seis milhões de euros por dia. A Caixa Geral de Depósitos continua a ser líder de lucros.

O banco público português atingiu, através da sua actividade bancária, lucros na ordem dos 305 milhões de euros. Ainda assim, foram valores 3,9% mais baixos que os de 2008. Esta quebra é justificada com o abrandamento na actividade internacional.

Nos bancos privados o destaque vai para o Santander Totta que acabou este semestre com lucros de 278 milhões de euros, ou seja, um aumento de 1,7% em relação aos valores do ano passado.

Muito perto do Santander Totta ficou o BES, que teve um resultado líquido de 246,2 milhões de euros, apresentando uma queda de quase 7% em relação ao primeiro semestre de 2008.

O Millennium BCP teve lucros 45% mais elevados do que os obtidos no mesmo período em 2008, atingindo os 147,5 milhões de euros. Também o BPI melhorou as receitas, lucrando 89 milhões de euros, dez vezes mais do que no período homólogo.

Contas feitas, apesar da CGD ser líder em termos de receitas, foram o BCP, o BPI e o Santander Totta que apresentaram evoluções positivas nos seus resultados líquidos. Analisando a média combinada destes cinco bancos, os resultados andam perto dos 213 milhões de euros, o que significa um aumento de quase 53 milhões de euros por instituição.

Contudo, a crise ainda não está solucionada. Segundo uma intervenção do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, no Parlamento, é preciso esperar mais meses, até ao terceiro trimestre deste ano, para perceber como ficam os bancos depois da crise.

“A actual crise é estrutural e de mudança de paradigma; não é uma simples crise cíclica usual ou uma crise de liquidez", afirmou Constâncio, que alertou também para o facto de a incerteza ser ainda muito grande.

Filipe Garcia, consultor da Informação de Mercados Financeiros, disse em entrevista ao Jornal I que “durante o primeiro semestre os bancos, nacionais e estrangeiros, estiveram muito mais focados em trabalhar a sustentabilidade do seu negócios, em se recapitalizar, do que em trabalhar a rentabilidade”. "Se fosse a rentabilidade, estavam a ir ao encontro das empresas para lhes vender crédito, o que não está a acontecer, de uma forma genérica".

Segundo Filipe Garcia, a situação do mercado monetário interbancário, onde são formadas as taxas de Juro Euribor, é indicativa de que os bancos ainda não se conseguem financiar como no passado, e que, por isso, não emprestam tanto.

Na verdade, os principais bancos portugueses estão cada vez mais rigorosos quantos aos critérios de concessão de créditos às empresas e às famílias, contrariando a tendência das instituições da zona euro, que de acordo com o BCE, registaram um declínio nas regras à concessão de crédito.

Joana Dias

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