Recuo do Governo é resultado "da luta do povo" - Carvalho da Silva

Recuo do Governo é resultado "da luta do povo" - Carvalho da Silva

*** serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***

Lisboa, 23 set (Lusa) - O ex-líder da CGTP-IN Carvalho da Silva afirmou hoje que o "recuo" do Governo na TSU é o resultado "da luta do povo" e que a reunião do Conselho de Estado só tentou "lavar a face do Governo".

"Foi encanar a perna à rã, tentar lavar a face ao Governo, tentar provar que está vivo, que mexe e que governa. A reunião não foi para discutir saídas, foi para consolidar, dar credibilidade a uma coisa que já estava concertada em favor e em defesa da manutenção deste Governo", disse à Lusa Manuel Carvalho da Silva.

Carvalho da Silva argumentou que "o recuo" do Governo na Taxa Social Única (TSU) não existiria sem as manifestações de sábado passado, considerando que essa é uma "lição fundamental" a retirar.

"O que determina o caminho da sociedade é a ação ou inação do povo", sublinhou.

O antigo líder sindical falava à Lusa à margem de um debate sobre "os desafios da denúncia ao memorando", no âmbito da preparação do Congresso Democrático das Alternativas, que se realizará a 5 de Outubro, em Lisboa.

"Se o país está à espera que venha da Presidência da República uma alternativa, estamos mal. O recuo que o Governo é obrigado a fazer é resultado da luta do povo, dos trabalhadores portugueses. É preciso é não parar. Foi muito importante que ontem se tivesse mantido aquela movimentação e que haja uma clarificação", argumentou.

Segundo Carvalho da Silva, "já há muitos artistas da política que têm grande responsabilidade nesta situação de descalabrado e que começam a querer repartir, a dizer que isto é um problema de todos e que as manifestações são contra a responsabilidade de todos".

"É muito importante que tenha havido um consenso crítico relativamente à Taxa Social Única e que haja consensos críticos em relação a outras matérias, mas a clarificação das posições para se encontrarem saídas de futuro é outro passo do processo", afirmou.

O Congresso Democrático das Alternativas insere-se neste estádio do processo, ao tentar "encontrar denominadores comuns" a partir das posições das diferentes forças políticas, de organizações diversas, académicos e "cidadãos empenhados".

Questionado sobre uma convergência entre PS, PCP e BE, Carvalho da Silva referiu que uma sondagem recente mostrou que o Governo tem apenas 34 por cento eleitorado e que, portanto, "os que estão de fora, se são a maioria, têm que procurar encontrar sintonias".

"Os compromissos podem ser datados, serem compromissos para alguns grandes objetivos e depois serem reformulados, mas é necessário encontrar isso. Tem que haver uma dinâmica na sociedade que force a exigência de respostas aos problemas das pessoas", argumentou.

Para Carvalho da Silva, as manifestações de sábado mostraram essa necessidade, sendo que a resposta das forças políticas tem que ser responder, sem "tacticismos" a esse desafio.

"Tem que se manter uma unidade de combate contra este desastre, contra este consenso podre que nos trouxe até aqui, mas, ao mesmo tempo darem-se passos de resposta. Nenhuma força política pode ficar a fazer cálculos de como lhe é mais ou menos vantajoso do ponto de vista tático. Há que agir visando estrategicamente resolver os problemas das pessoas", defendeu.

ACL.

Lusa/Fim