Seguro contra privatização da CGD diz que "há fronteiras que não podem ser ultrapassadas"

Seguro contra privatização da CGD diz que "há fronteiras que não podem ser ultrapassadas"

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Soure, 22 set (Lusa) - O secretário-geral do PS, António José Seguro, disse hoje, em Soure, que "há fronteiras que não podem ser ultrapassadas", ao reafirmar a sua oposição à eventual privatização da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

"Há fronteiras que não podem ser ultrapassadas e foi por isso que ontem, no debate quinzenal na Assembleia da República, também disse ao primeiro-ministro: 'Não ouse privatizar a CGD porque terá o PS e estou certo a grande maioria dos portugueses pela frente, que não aceitaremos a privatização do único banco público que existe em Portugal'".

António José Seguro discursava num jantar com militantes e simpatizantes, em Soure (Coimbra) que, segundo a organização, juntou cerca de 750 pessoas.

Hoje, o Expresso escreve que a intenção do Governo, que já terá sido alvo de discussão entre o Ministério das Finanças e a 'troika', passa por vender 20 por cento do capital da CGD a investidores institucionais e outros 20 por cento ao público em geral, através da entrada em bolsa.

Na sua intervenção, o secretário-geral do PS congratulou-se com o recuo do Governo nas alterações à Taxa Social Única (TSU).

"De uma forma muito humilde quero dizer ao primeiro-ministro que espero que tenha aprendido esta lição que os portugueses lhe deram e que não volte a ultrapassar esta linha e esta fronteira que separa aquilo que são sacrifícios e distribuição de equidade e aquilo que é imoral e indigno para uma sociedade como é a portuguesa, que tem um contrato social e matriz civilizacional estável", frisou.

Segundo o líder do Partido Socialista, "os portugueses cumpriram com os seus sacrifícios, mas o Governo falhou na receita".

Reafirmando a intenção de votar contra o Orçamento de Estado do próximo ano, o secretário-geral do PS sublinhou também que a prioridade em Portugal "tem de ser crescer", dar prioridade ao emprego e à economia.

"O principal problema que temos é o desemprego. Se o Governo insiste numa receita recessiva, isso significa que a economia definha", sustentou.

Antes deste jantar, em que também discursaram os presidentes da Câmara de Soure e da Federação Distrital do PS, João Gouveia (PS) e Pedro Coimbra, respetivamente, António José Seguro foi recebido nos Paços do Município e participou na inauguração do espaço municipal de desporto e lazer dos Bacelos.

A CDU e o Bloco de Esquerda de Soure insurgiram-se já contra esta iniciativa a convite do presidente da Câmara que, ao intervir nos Paços do Município, desvalorizou as críticas.

Em comunicado emitido hoje à noite, a vereadora do PSD da Câmara de Soure, Sónia Vidal, lamentou o facto de João Gouveia "confundir as suas funções de Presidente da Câmara com a sua atividade politica enquanto militante do partido socialista, ao agendar para o mesmo dia, hora e local duas sessões distintas: a de boas vindas ao secretário-geral do partido socialista e a sessão de inauguração de uma obra de requalificação do espaço entre os rios Anços e Arunca".

À chegada à Câmara, António José Seguro era esperado por centenas de pessoas.

MCS (FPA)

Lusa/fim