actualizado: Sat, 15 Sep 2012 18:05:00 GMT | de Lusa

Consumo de pepinos-do-mar pode reduzir doenças cardiovasculares – estudo

O consumo de pepinos-do-mar, invertebrados da família das estrelas-do-mar, pode contribuir para a redução de doenças cardiovasculares, entre outros benefícios, revela um estudo realizado no Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve.


epa02965240 A view of an area of discoloration (© C)

epa02965240 A view of an area of discoloration (C) in the Atlantic Ocean caused by an underwater volcanic eruption off El Hierro island, the Canaries, Spain, 13 October 2011. El Hierro has been rocked by thousands of earthquakes since 19 July 2011, caused by magma pressing towards the Earth's surface, also raising concerns about a volcanic eruption on the island that has a large volcano and about 250 craters. EPA/CRISTOBAL GARCIA

Loulé, 15 set (Lusa) – O consumo de pepinos-do-mar, invertebrados da família das estrelas-do-mar, pode contribuir para a redução de doenças cardiovasculares, entre outros benefícios, revela um estudo realizado no Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve.

A investigadora Luísa Custódio disse à Lusa que as cinco espécies estudadas “contêm um baixo teor de gordura e um elevado teor proteico e a fração lipídica (gorduras) é essencialmente composta por ácidos gordos polinsaturados, os quais se encontram associados a numerosos benefícios em termos de saúde, como redução da incidência de doenças cardiovasculares”.

Uma destas espécies, de nome científico H. arguinensis – que existe na costa portuguesa entre Peniche e o Algarve e nos Açores e ainda no Mediterrâneo e na zona nordeste do Oceano Atlântico -,contém ainda compostos com propriedades antioxidantes, acrescentou a cientista.

O estudo do CCMAR arrancou no início do ano com o objetivo de perceber se o consumo de determinadas espécies de pepinos-do-mar pode ser benéfico para a saúde humana e se aquelas espécies têm atividades biológicas relevantes.

A sua introdução na alimentação e tratamentos medicinais teve origem na Ásia, onde os pepinos-do-mar foram sobre-explorados, estando a ser alvo de uma procura crescente na América, na Austrália e na Europa. São usualmente comercializados depois de secos com a designação de ‘Bêche-de-mer’.

Os pepinos-do-mar, cuja dimensão pode ir dos 26 aos 50 centímetros, podem ser encontrados em zonas de baixa densidade, sobre fundos rochosos ou arenosos, e a sua fácil captura durante a maré baixa preocupa os investigadores, que receiam um aumento excessivo de captura.

Apesar de não serem uma iguaria presente nas cozinhas portuguesas, os pepinos-do-mar já começaram a ser capturados e comercializados para o exterior.

O estudo realizado pelo CCMAR focou-se nas espécies Holothuria mammata, H. tubulosa, H. polii, H. arguinensis e Eostichopus regalis, cinco das cerca de 1.400 espécies de pepinos-do-mar identificadas até ao momento.

Além das conclusões, este estudo lançou novas dúvidas que Luísa Custódio admite que possam dar lugar a novas investigações.

“Por exemplo, o perfil nutricional de determinada espécie irá variar significativamente com o seu habitat e com o tipo de processamento, por exemplo, a secagem ou o congelamento? Estas espécies apresentam outras características que lhes confiram interesse como fonte de compostos nutracêuticos ou como alimentos funcionais?”, referiu, para exemplificar dúvidas que gostaria de aprofundar.

O estudo surgiu no seguimento dos projetos SEABIOMED (grupo MarBiotech, CCMAR), que avalia atividades biológicas de organismos marinhos, e o CUMFISH, que estuda o impacto das pescas em diversas espécies de pepinos-do-mar, liderado por Mercedes Wanguemert (grupo MAREE, CCMAR).

Ambos são financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

SCYS.

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