
Comissão política e conselho nacional do CDS-PP discutem hoje medidas de austeridade
Porto, 15 set (Lusa) - O CDS-PP reúne hoje a comissão política e o conselho nacional para discutir as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo, esperando-se a primeira intervenção do líder, Paulo Portas, que se tem remetido ao silêncio sobre o tema.
A 'rentrée' prevista para o Porto foi cancelada, dando lugar às reuniões para "reflexão" do partido, que o líder e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, disse querer ouvir antes de se pronunciar, justificando com "patriotismo" o silêncio que a oposição chamou de "fúnebre".
"A razão pela qual eu tenho sido prudente em declarações públicas chama-se patriotismo. Portugal foi avaliado pelos seus credores e como sabem não temos ainda condições para vivermos com independência desses credores", disse Portas na terça-feira à saída de uma comissão parlamentar.
O primeiro-ministro garantiu na quinta-feira na RTP que Paulo Portas deu o seu acordo às novas medidas de austeridade e esteve envolvido na preparação de uma das mais polémicas, como a redução da Taxa Social Única (TSU) para as empresas, compensada pela subida das contribuições dos trabalhadores.
"O dr. Paulo Portas é presidente do CDS-PP mas é ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Nenhum Governo fecha uma negociação externa e internacional que não seja do conhecimento e não possa ter o acordo do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Nesse dia, algo de errado se passaria com o Governo", afirmou Pedro Passos Coelho.
"Estou inteiramente tranquilo quanto à posição do ministro dos Negócios Estrangeiros nesta matéria", sublinhou o chefe de Governo.
As medidas anunciadas têm sido criticadas por figuras como antigo ministro das Finanças Bagão Félix, um independente ligado ao CDS-PP, ou pela ex-presidente do PSD Manuela Ferreira Leite, também ela antiga titular da pasta das Finanças, que apelou mesmo aos deputados que votem contra o Orçamento, mesmo que isso lhes custe o mandato.
O vice-presidente do CDS-PP e líder do partido nos Açores, Artur Lima, criticou a medida, defendeu que o partido deve ter "um elevado sentido de Estado", mas considerou também que deve "refletir o seu desagrado profundo sobre o experimentalismo do Governo".
Já o antigo presidente do partido José Ribeiro e Castro disse à Lusa que "há sinais de grande desorientação" no partido que o preocupam e qualificou de "um disparate" a hipótese de o CDS sair do Governo para passar a apoiar o Executivo com base num acordo de incidência parlamentar, noticiada pelo Público na sexta-feira.
O conselheiro nacional Filipe Anacoreta, um dos elementos do movimento "Alternativa e Responsabilidade", defendeu que o CDS deve ser "pronto" na "clarificação" da coesão governativa, sublinhando que "não pode estar com um pé dentro e outro pé fora".
ACL.
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