
Rede de cuidados continuados continuará a crescer a um ritmo adequado às finanças do país - UMCCI
Porto, 30 jun (Lusa) - A coordenadora da Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados (UMCCI), Inês Guerreiro, disse ter obtido do Governo a garantia de que a rede terá continuidade, com um ritmo de crescimento adequado à capacidade financeira atual.
Inês Guerreiro admitiu, em declarações à Lusa, que o processo sofreu uma paragem em relação ao que tinha sido planeado em 2005, mas considerou que esse abrandamento se deve à situação de crise que se vive no país e "não à falta de sensibilidade política" para o problema.
"A garantia - através, inclusivamente, das recomendações da Troika - é de que a rede de cuidados continuados não vai acabar, antes pelo contrário, é considerada fundamental. As pessoas não podem é sonhar que é possível desenvolver mais despesa no sistema de saúde se não retirarmos despesa de onde ela já está e, para isso, há que redimensionar e racionalizar, ou seja, é preciso fazer escolhas e traçar prioridades", considerou.
A coordenadora da UMCCI entende que "a solução não é reforçar os hospitais, que já existem em tamanho e número mais do que suficiente, o que é preciso é criar alternativas de resposta na comunidade que sejam de natureza preventiva, recuperadora e paliativa".
"Se temos cidadãos cada vez mais envelhecidos e com doenças cada vez mais crónicas, não é possível, aliás, seria uma grande aberração, não considerar a evolução da rede. Estamos num momento de abrandamento é verdade, porque o dinheiro não aparece de repente e é preciso ir buscá-lo ao sistema. Neste momento, a rede está a ser prejudicada pela demora das mudança no sistema", frisou.
Apesar do abrandamento imposto pelas restrições financeiras do país, foram criadas 413 novas camas desde Junho de 2011 e, até final do ano, a perspetiva é de disponibilizar mais 150.
Em lista de espera, a nível nacional, estão cerca de 1200 pessoas, mas a coordenadora da UMCCI admite que o número de utentes a necessitar de cuidados seja bastante superior.
"O número seria bastante maior se os hospitais e os centros de saúde referenciassem todos os doentes que de facto necessitavam de ir para a rede. Podíamos considerar mais quatro vezes mais pessoas em lista de espera", sustentou.
Os contratos celebrados no âmbito da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) completam este ano o período de cinco anos de vigência, mas Inês Guerreiro disse à Lusa que serão celebrados novos contratos com as mesmas entidades, por períodos sucessivos.
PM.
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