Protesto 'Cerca o Congresso' em Espanha gera debate entre políticos e deputados

Protesto 'Cerca o Congresso' em Espanha gera debate entre políticos e deputados

Madrid, 25 set (Lusa) - O protesto cidadão 'cerca o Congresso', convocado para a tarde de hoje em Madrid, está a suscitar debate entre políticos e deputados espanhóis com alguns a queixarem-se do "anormal" controlo policial em torno do edifício.

"Isto é incrível, um acosso contínuo. Um estado policial é algo muito parecido", escreveu na rede twitter o deputado da Esquerda Unida (IU), Ricardo Sixto, queixando-se dos excessivos controlos a quem tenta entrar no Congresso.

"Dentro do Congresso hoje não sinto segurança mas claustrofobia. Que vontade tenho de sair à rua", escreveu, afirmando que quem está a interferir na normal atividade parlamentar é a polícia e não os manifestantes.

Sixto refere-se ao forte cordão de segurança, com barreiras de ferro e controlo a pessoas e veículos que foi instalado num perímetro em torno do complexo do Congresso de Deputados, num dispositivo de segurança que envolve 1.300 agentes.

O presidente do Congresso, Jesus Posada, afirmou já aos jornalistas não ver "qualquer anormalidade" nas primeiras horas da jornada.

"Espero que essa tranquilidade se mantenha durante todo o dia", afirmou aos jornalistas.

O motivo do forte dispositivo policial, explicam as autoridades em Madrid, são as doze marchas e manifestações programadas para hoje no centro da capital, entre as quais três simultâneas relacionadas com o protesto "Cerca o Congresso", que pretende rodear o parlamento durante o plenário.

As autoridades espanholas declararam já "tolerância zero" para com manifestantes que participem em qualquer tentativa de cercar o Congresso, tendo Cristina Cifuentes, delegada do Governo em Madrid, advertido que não tolerará esse tipo de protesto enquanto decorre um plenário da câmara baixa das Cortes espanholas.

O artigo 494 do Código Penal espanhol define as penas para quem "promova, dirija ou presida a manifestações ou outro tipo de reuniões perante as sedes do Congresso de Deputados, do Senado ou de um Assembleia Legislativa de Comunidade Autónoma, quanto esteja reunida, alterando o seu normal funcionamento".

Crítico foi hoje o ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón, que defendeu o direito à manifestação mas considerou que chegar a um confronto com a soberania nacional representaria "uma agressão ao sistema democrático".

"Um deputado e um senador são representantes do povo espanhol", disse, afirmando que combater ideias ou projetos é um debate político mas que questionar a sua legitimidade é discutir a legitimidade do povo espanhol e das eleições.

Elena Valenciano, vice-secretária geral do PSOE, considerou por seu lado que os convocantes do protesto de hoje "manifestam-se de boa fé" e os políticos devem "ouvi-los mais".

Em declarações à Antena 3, Valenciano disse que os manifestantes "não pretendem tomar o Congresso mas apenas rodeá-lo" e pediu que a secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal "retire as suas palavras" criticas proferidas na segunda-feira.

Cospedal criticou "enérgica e totalmente" o protesto, considerando que não é uma concentração pacífica mas antes procura "ocupar o parlamento", chegando a compará-lo à tentativa de golpe de Estado falhado de 23 de fevereiro de 1981.

A última vez, disse, que se recorda uma iniciativa como a de terça-feira "foi na altura do golpe de Estado e o que se pretendia era tapar a boca a todos os espanhóis".

O protesto está a ser convocado pela "Coordinadora 25S" e pela "Plataforma en Pie", que defende uma agenda de desobediência civil, protestos e uma "assembleia permanente" de cinco dias de duração nas imediações do Congresso de Deputados.

Estão programadas três marchas simultâneas que deverão confluir na Puerta del Sol, na Praça Neptuno e na Praça Cibeles, às 17:30, e cujos participantes pretendem deslocar-se depois para o Congresso.

Convocatórias idênticas estão marcadas para várias cidades espanholas, incluindo Barcelona, onde o coletivo "Acampada de Barcelona" - associado ao movimento 15 M - promove o protesto "cercar o parlamento" regional.

ASP.

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