Movimento Empresarial da Restauração estima adesão de 90% a 'Dia Sem Cartões'

Movimento Empresarial da Restauração estima adesão de 90% a 'Dia Sem Cartões'

Lisboa, 25 set (Lusa) - O Movimento Empresarial da Restauração (MER) estimou em cerca de 90 por cento a adesão do setor da restauração ao 'Dia sem Cartões', uma iniciativa organizada para alertar, sobretudo a Unicre, para "uma situação insustentável" de taxas "exageradas".

"Esta ação é para alertar, nomeadamente a Unicre, que as comissões que estamos a pagar são um exagero. Acho que chegou uma altura de dizer basta", disse à Lusa o coordenador do MER, José Pereira.

O coordenador do movimento explicou que, neste momento, os custos fixos no setor da restauração atingiram valores insustentáveis, sendo as taxas pagas pela utilização de cartões de débito e crédito uma parte significativa desses custos, e defendeu que uma redução nessas taxas, por mais pequena que fosse, já seria uma ajuda importante.

Inicialmente o MER avançou com valores de 85 a 90 milhões de euros anuais pagos por restaurantes e similares à Unicre em taxas por utilização de cartões, mas a empresa que gere e emite os cartões de pagamento em Portugal contestou esses números, garantindo que as taxas pagas pelo setor da restauração totalizam 11,7 milhões de euros.

O MER reconheceu, entretanto, que pode ter avançado números errados com base em informações não confirmadas e José Pereira garantiu à Lusa que a situação está a ser analisada para se proceder ao esclarecimento.

No entanto, para o coordenador do MER, o relevante é assinalar a falta de futuro para o setor, sublinhando as quebras na atividade registadas nos últimos anos, que, segundo garantiu, chegaram aos 40 por cento em 2011, e que só no primeiro trimestre deste ano obrigaram ao despedimento de 11 mil pessoas.

O MER reuniu na passada semana com os grupos parlamentares para expor as dificuldades do setor, mas o grupo parlamentar do PSD (maior partido que forma o Governo) garantiu não só que o IVA no setor da restauração não vai baixar para os valores passados, como avançou a possibilidade de vir a aumentar.

A AHRESP, que representa o setor da restauração em Portugal e que apoia a iniciativa do MER, disse à Lusa que desconhece qualquer intenção de aumentar o IVA, mas que a concretizar-se, isso seria "condenar todo o setor".

O vice-presidente da AHRESP, Júlio Fernandes, adiantou que a associação se prepara para apresentar um estudo para demonstrar ao Governo os efeitos do aumento do IVA de 13 para 23 por cento, a taxa em vigor neste momento.

"A AHRESP está, neste momento, a preparar um estudo para demonstrar que o aumento do IVA para 23 por cento foi prejudicial para o Estado, porque perdeu dinheiro. Se baixar o IVA para o valor anterior deixará de perder muitos milhões de euros e salvará mais de 70 mil postos de trabalho", adiantou o responsável.

IMA

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