
Advogado de lesados do BPN estima em 160ME valor reclamado por pequenos investidores
Lisboa, 18 jul (Lusa) - O valor que os pequenos investidores do BPN vão pedir ao Estado ascenderá a 160 milhões de euros quando todos os processos entrarem em tribunal, estimou hoje o advogado que representa clientes considerados lesados pelo banco.
Arnaldo Homem Rebelo foi hoje ouvido pelos deputados da comissão de inquérito à nacionalização e reprivatização do BPN.
O advogado, que contribuiu para a criação da Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Clientes do BPN, disse que o dinheiro reclamado pelos pequenos investidores ao BPN atinge "mais de 160 milhões de euros".
À margem da audição, em declarações aos jornalistas, o responsável disse que as ações que tem neste momento em tribunal totalizam "30 a 40 milhões de euros", mas que podem chegar aos 160 milhões quando todas estiverem a correr na Justiça.
O advogado disse que em setembro vai meter mais 100 ações em tribunal contra o BPN.
Arnaldo Rebelo deixou a sugestão de o Governo criar uma comissão para negociar com os pequenos investidores os valores que estes reclamam o que, considerou, evitaria entupir os tribunais" com estes processos e ainda pouparia ao Estado o "pagamento de juros" caso perdesse as ações judiciais.
Arnaldo Rebelo estima que, entre processos movidos por investidores e por trabalhadores (referentes às relações laborais com o banco), existam 400 a correr na Justiça contra o BPN.
Arnaldo Homem Rebelo tornou-se conhecido depois de ter ganho em tribunal o caso de uma idosa de 89 anos que subscreveu 100 mil euros em papel comercial da Cimentos Nacionais e Estrangeiros pensando que estaria a aplicar o dinheiro em depósitos a prazo. O Tribunal de Aveiro condenou o BPN a pagar 100 mil euros.
Além deste processo, Homem Rebelo disse que ganhou mais três processos contra o BPN. Os quatro processos estão todos em recurso.
O advogado mostrou-se hoje muito crítico para com a atuação em tribunal dos representantes jurídicos do BPN, mesmo sob tutela do Estado.
"Os métodos continuam iguais, nada mudou. O que me choca é isso, que usem a mesma estratégia em tribunal" da administração privada do banco, disse o jurista.
IM
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