Bruxelas quer que Grécia demonstre vontade em ficar no euro

Bruxelas quer que Grécia demonstre vontade em ficar no euro

Atenas, 06 de agosto (Lusa) - A Comissão Europeia espera que a Grécia torne públicas o quanto antes as medidas do plano que prevê poupar 11.500 milhões de euros para demonstrar o seu compromisso e afastar o fantasma da saída do euro.

"Há um grande esforço dos líderes europeus para encontrar medidas que ajudem a Grécia e evitem uma rutura da zona do euro. Mas agora a responsabilidade está nas mãos da Grécia", disse à agência de notícias Efe uma fonte da Comissão Europeia em Atenas, que pediu anonimato.

Segundo esta fonte, o governo grego liderado pelo conservador Antonis Samaras abandonou a sua intenção de solicitar uma extensão de prazo no cumprimento dos programas de reformas impostos à Grécia pelos seus credores em troca dos resgates.

Esta decisão foi tomada pelo primeiro-ministro na semana passada depois de ter recebido um telefonema do Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, em que este alertou que, se não o fizesse, haveria Estados-Membros a exigir a saída do país da zona euro.

"Uma extensão do programa implicaria mais financiamento, que teria de ser aprovado pelos parlamentos nacionais, e isso parece difícil", acrescentou a fonte.

Para evitar uma saída forçada da Grécia na zona euro, a fonte consultada pela Efe disse que a Comissão Europeia espera que Samaras "além de promessas, tem de começar a levar à prática" as medidas anunciadas, uma vez que "as coisas estão a ser feitas, mas muito lentamente."

Hoje houve mais uma reunião entre o primeiro-ministro e seus parceiros de governo, Evangelos Venizelos, dos socialistas gregos (Pasok), e Fotis Kuvelis, líder do pequeno partido de centro-esquerda Dimar, num encontro em que não foram abordados os cortes, com o debate a centrar-se sobre o processo de privatização e reforma da administração pública.

"Devemos romper o círculo vicioso da imagem negativa do nosso país", disse Venizelos no fim da reunião, enquanto Kuvelis explicou que houve um acordo sobre a criação "investimentos que proporcionem empregos".

Segundo o jornal "Kathimerini", os pensionistas serão dos grupos mais afetados pelas novas medidas de austeridade, podendo as pensões ser reduzidas entre cinco e seis por cento, depois de já terem perdido cerca de um quarto do seu valor em cortes anteriores.

A 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), que supervisiona as reformas gregas, deu por terminada no domingo mais uma visita ao país, depois de constatar "avanços" nas negociações com o Governo.

Os membros da 'troika' vão apresentar o seu relatório em setembro ao Fundo Monetário Internacional e ao Eurogrupo para que estes possam decidir se dão 'luz verde' à parcela de 31 mil milhões de euros de empréstimo à Grécia.

No entanto, a oposição grega, liderada pelo Syriza (esquerda radical), ameaçou novos protestos se aprovados mais cortes em salários e pensões.

"O problema é que o governo optou por medidas simples como cortes salariais e de pensões, mas as reformas estruturais que deveriam ter sido implementadas há 30 anos ainda não foram realizadas porque são mais difíceis", concluiu fonte comunitária.

IM.

Lusa/fim