Ponte de Vila Franca de Xira que encurtou distâncias entre o Norte e o Sul faz 60 anos

Ponte de Vila Franca de Xira que encurtou distâncias entre o Norte e o Sul faz 60 anos

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Lisboa, 29 dez (Lusa) - A Ponte de Vila Franca de Xira faz 60 anos na sexta-feira, 30 de dezembro, data que em 1951 pôs fim às viagens a Lisboa em barcos a motor e encurtou distâncias entre o Norte e o Sul do país.

José Batalha é filho de um dos donos das empresas que, na década de 1940, faziam a ligação de barco a motor, nos chamados "gasolinas", não só entre as duas margens do Tejo na zona de Vila Franca, numa distância de pouco mais de 500 metros, mas também até Lisboa.

"Os gasolinas transportavam pessoas, carros, em cima de umas pranchas, e de noite transportavam [da margem sul para Vila Franca] o gado que ia a pé para Lisboa até ao matadouro, acompanhado por homens a cavalo", lembra.

Os barcos faziam a ligação entre os cais do Cabo (na margem sul, no mesmo concelho) e de Vila Franca a cada 15 minutos. O preço rondava os 50 centavos de escudo por uma viagem que também não durava mais de um quarto de hora.

Depois da inauguração da ponte, a empresa do pai foi integrada no Porto de Lisboa, mas nem isso levantou a indignação dos locais. A obra era uma solução pedida pela população ao Estado desde 1924, uma vez que a única ponte sobre o Tejo era a de Santarém, a 80 quilómetros de Lisboa.

"Lembro-me muito bem do dia da inauguração. Tinha 13 anos. Foi o dia em que Vila Franca teve mais gente. Não se podia andar. Foi um dia de festa, veio gente de todos os lados, de carroças, carros, camionetas, tratores, tudo aqui para assistir à festa", conta José Batalha.

Natural de Vila Franca de Xira, José Batalha conseguiu atravessar naquele dia o tabuleiro a pé, com a mãe: "Mal demos por isso", admite. O mesmo não aconteceu com Maria Manuela Azevedo.

"Eu era miúda, tinha sete anos. Lembro-me de que foi um grande acontecimento. Morávamos em Coruche, nessa altura o meu pai já tinha carro e viemos para ver a ponte. Saímos de manhã, mas de tarde ainda havia fila. O meu pai já não teve mais paciência para estar na fila, então voltou para trás. Estávamos a 500 metros da ponte", conta a professora reformada.

Maria Manuela Azevedo salienta que a ponte "uniu as duas margens do rio" e o Norte e Sul do país, ligações que antes de 30 de dezembro de 1951 tinham de ser feitas de barco.

"Íamos muito a Lisboa, porque a nossa família era de lá. Chegávamos ali à lezíria, o carro ia na jangada e nós no barco para passarmos para o outro lado", recorda.

No entanto, salienta também que a ponte foi paga durante muitos anos. "Começou nos cinco escudos, subiu para os 7,5 e para os 12,5 escudos. As portagens só acabaram com a primeira-ministra Maria de Lurdes Pintassilgo", acrescenta José Batalha.

Seis décadas depois, a importância da infraestrutura mantém-se: "A ponte foi muito importante na altura e mesmo hoje ainda tem muito movimento. Mas se não houvesse as pontes Vasco da Gama e 25 de Abril hoje não era suficiente, porque há muito mais carros do que naquela altura", considera José Batalha.

A construção da então Ponte Marechal Carmona teve início em 1947. A inauguração decorreu quatro anos depois. "Ponte de ligação entre o Norte e o Sul, torna-se clara a importância que a ponte assumiu no desenvolvimento local e nacional, levando ao incremento das atividades económicas e à subsequente fixação das populações e crescimento urbanístico", resume o Museu Municipal de Vila Franca de Xira.

SYP.

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