PS considera "inaceitável" anúncio do Governo de que programa Revitalizar conta com 16 empresas

PS considera "inaceitável" anúncio do Governo de que programa Revitalizar conta com 16 empresas

Lisboa, 23 jun (Lusa) - O Partido Socialista considerou hoje, "no mínimo, inaceitável" o anúncio da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, de que 16 empresas recorreram ao Programa Revitalizar, que prioriza a negociação com os credores em vez da insolvência.

"Desde o início do ano, faliram mais de três mil empresas, à média de 19 empresas por dia. A ministra vem realçar um programa com mais de um mês, em que assenta a sua estratégia de contenção das insolvências, anunciando que 16 empresas aderiram?! É ridículo!", acusou o deputado socialista Miguel Laranjeiro, em declarações à Lusa.

"Este exemplo vem mostrar que as soluções do Governo não resolvem a situação de profunda crise económica em que o próprio Executivo mergulhou o país e que a ministra manifesta estar longe de ter consciência dessa crise em que o país se encontra", acrescentou o deputado.

"A ministra disse que o sistema judicial 'não goza de uma boa imagem', pois quem não goza de boa imagem é o Governo, que não consegue responder aos problemas dramáticos das empresas, do desemprego e da situação em que colocou o país, rematou Miguel Laranjeiro.

A ministra da Justiça afirmou hoje que, desde a entrada em vigor em 21 de maio, "tem havido um número de empresas que tem se tem socorrido deste regime, o que é extremamente importante. Creio que são cerca de 16, mas não tenho a certeza", afirmou aos jornalistas Paula Teixeira da Cruz, à margem de uma conferência sobre o Programa Revitalizar, promovida pelas associações Empresarial de Portugal (AEP) e Portuguesa de Administradores Judiciais (APAJ) e a decorrer em Lisboa.

Paula Teixeira da Cruz disse que os próximos passos na concretização do programa estão relacionados com a sua aplicação prática, uma vez que os instrumentos jurídicos já existem.

"Há que habituar os agentes a socorrerem-se deste regime. As leis são sempre os instrumentos, depois tem de haver um trabalho pedagógico no sentido de incentivar essa prática", explicou.

Durante a sua intervenção na conferência, a ministra sublinhou a necessidade de "mudar a ideia que o cidadão tem de todo o sistema judicial".

Para Paula Teixeira da Cruz, o sistema judicial "não goza de uma boa imagem", por razões "muitas vezes injustas", relacionadas com o facto de a legislação existente não permitir que possa ser feito "mais e melhor".

APL (CSJ)

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