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Lisboa, 23 jun (Lusa) - Os comboios urbanos do Porto deverão parar no domingo, devido às greves dos maquinistas e dos revisores aos feriados, disse a porta-voz da CP, adiantando que os passageiros poderão começar a sentir impactos hoje, ao final do dia.
Os sindicatos Nacional de Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ) e Ferroviário da Revisão Comercial e Itinerante (SFRCI) apresentaram o pré-aviso de greve aos feriados - nacionais e municipais - do mês de junho, o que inclui o feriado de S. João, assinalado no Porto, no domingo.
"Os impactos previstos começam hoje, a partir das 22:00 nos serviços urbanos do Porto, podendo começar a acontecer supressões" de comboios, afirmou à Lusa a porta-voz da CP, Ana Portela.
No domingo, "está prevista a supressão de praticamente a totalidade das circulações nos comboios urbanos do Porto, ou seja, não deverá haver comboios a circular", acrescentou.
A porta-voz da CP disse que as greves vão "afetar ainda as linhas do Minho e do Douro, nomeadamente no serviço regional, onde o impacto poderá ser a supressão de cerca de 100 por cento dos serviço", podendo também ocorrer "alguns impactos" nos comboios de longo curso - Alfa Pendular e Intercidades -, que a empresa espera que não tenha "grande expressão".
Ana Portela explicou que serão afetados estes serviços porque há trabalhadores da CP que têm a sua sede de trabalho no Porto e que podem aderir às paralisações.
O Sindicato dos Maquinistas avançou para a greve "contra a perseguição disciplinar dos trabalhadores da tração [maquinistas] desencadeada pelos conselhos de administração da CP EPE/CP Carga", as "medidas das administrações da CP/CP Carga, que visam reduzir os salários dos trabalhadores" e para reivindicar o "cumprimento integral dos acordos em vigor, designadamente de 21 de abril e 09 de junho de 2011", segundo o pré-aviso.
Já o SFRCI, que representa os revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP, anunciou, em comunicado, que recorreu à greve para contestar a "total ausência de diálogo" por parte do ministro da Economia.
O sindicato afirma que a "taxa de esforço para a contenção de despesas exigida aos trabalhadores operacionais da CP está a ser levada ao extremo, sendo desproporcional em relação a outros setores sob a mesma tutela", acrescentando que, em junho, os trabalhadores "foram obrigados a devolver 50 por cento do dinheiro que tinham recebido pelo trabalho extraordinário e em feriados compensados, uma vez que tinham recebido a 100 por cento desde o início do ano, tal como estipulava o Acordo de Empresa".
O SFRCI diz que, "por decisão unilateral da tutela, as regras do jogo mudaram, passando a CP a pagar tal trabalho apenas a 50 por cento e exigindo os retroativos a janeiro deste ano", considerando tratar-se de "um roubo descarado".
A próxima greve dos trabalhadores da CP está prevista para o dia 28 de junho. A empresa prevê perturbações nos serviços urbanos de Lisboa da linha do Sado, podendo não circular comboios.
No Porto, também cumprem greve hoje e no domingo os motoristas da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP).
O Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM) afirma que "não podia nem pode ficar indiferente às práticas discriminatórias concretizadas pelo conselho de administração" demissionário, que acusa de "nunca ter sido capaz de criar um clima de transparência e paz social" com os trabalhadores e sindicatos.
CSJ (TDI)
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