Em Cacilhas troca-se lixo por viagens gratuitas nos transportes públicos

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Munícipes de Almada participam na iniciativa da Câmara Municipal de Almada onde podem trocar materiais que podem ser reciclados, como latas, garrafas, papel, óleos alimentares ou pilhas usadas, pequenos eletrodomésticos avariados, radiografias e até medicamentos que já não use, por viagens gratuitas de autocarro, barco, metro ou comboio, esta manhã em Cacilhas, Almada, 22 de setembro de 2012. JOÃO RELVAS/LUSA
Lisboa, 22 set (Lusa) – Uma fila de pessoas carregadas com sacos, sacolas e até caixotes cheios de lixo reciclável era o cenário esta manhã em Cacilhas junto ao quiosque da câmara de Almada que promove a campanha “Viagens a troco de lixo”.
Inserida no âmbito da Semana da Mobilidade, esta iniciativa troca latas, garrafas, papel, óleos alimentares, pilhas usadas, pequenos eletrodomésticos avariados, radiografias e até medicamentos, por viagens gratuitas de autocarro (TST), navio (Transtejo), metro (Sul do Tejo) ou comboio (Fertagus).
Na fila para entregarem o lixo encontram-se pessoas sozinhas, casais, avós com netos, pais com filhos, irmãos e amigos. Todos têm o hábito de reciclarem e hoje decidiram juntar-se à iniciativa.
Acompanhada de dois netos, Elisabete Lopes considera que reciclar é “essencial para a saúde e para o ambiente em especial”.
Quanto aos netos, afirma que “vão já habituados, até a apanhar o lixo na rua perto de casa”.
“Fazemos isso todos os dias, infelizmente”, acrescentou.
Para Elisabete Lopes, “mesmo não dando bilhetes” era “muito bom que isto [a campanha] se fizesse mais vezes porque as pessoas precisam mesmo de ser relembradas de tudo o que se tem de fazer pelo planeta”.
Papel, medicamentos e garrafões de água foram os materiais entregues por Maria João Alvarez, para quem esta iniciativa “é muito interessante”.
“Estive atenta e guardei o lixo em casa, porque senão teria deitado fora”, disse à Lusa, acrescentando que tem por hábito reciclar o lixo.
Com quatro bilhetes na mão, Maria João Alvarez disse que “são muito úteis” porque desloca-se por vezes a Lisboa e assim não precisa “de os comprar”.
Luis e Carolina Alves, marido e mulher, aproveitaram umas mudanças para entregar livros, papéis antigos, radiografias e eletrodomésticos e confessam que os bilhetes que conseguiram em troca dão “muito jeito, essencialmente na Fertagus e no metro” porque tês “três filhos, dois dos quais a estudar em Lisboa”.
Carregada de garrafões, Otília Almeida não hesita em dizer que participa na iniciativa para “receber alguns bilhetes porque isto está muito mau e precisa de bilhetes para os transportes”.
Utilizadora dos transportes públicos, afirma que são úteis “por todos os motivos: vamos descansadas, não temos de nos preocupar com as filas e a gasolina também está muito cara. Poupa-se em tudo”.
Para Marina Carvalho, mais importante do que ir à procura de bilhetes, é o ato de reciclar.
“A base mesmo é nós reciclarmos e quando temos crianças é importantíssimo incentivarmos e é uma rotina que temos diária ao longo do ano”, disse à Lusa.
A mesma opinião é partilhada por António Carapinha, para quem a “reciclagem é todos os dias e não num dia específico como o de hoje”.
Da parte da câmara de Almada, a adesão tem sido “maciça”.
“Inventámos este conceito em 2001 para tentar associar a procura do transporte coletivo com o reaproveitamento de materiais e tem sido uma das nossas imagens de marca da Semana da Mobilidade”, disse à Lusa Catarina Freitas, diretora do departamento estratégico e de gestão ambiental sustentável da câmara de Almada.
No ano passado, a “Viagens a troco de lixo” recolheu dezenas de toneladas de lixo reciclável e, este ano, o objetivo é superar os números de 2011.
Para hoje estão disponíveis sete mil bilhetes, que serão distribuídos até um máximo de quatro por pessoa.
A câmara de Almada é uma das 42 que este ano aderiram ao Dia Europeu Sem Carros em Portugal e uma das 24 que promovem a Semana Europeia da Mobilidade.
A Semana Europeia da Mobilidade assinala-se em quase duas mil cidades em todo o mundo e visa sensibilizar as pessoas que vivem nas cidades para os problemas associados aos transportes, defendendo a necessidade de soluções para enfrentar a poluição do ar, o ruído e o congestionamento, e estimular comportamentos mais sustentáveis.
MCL.



















