Escassez mundial de água está a acentuar-se

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Luis Forra
A entrada em funcionamento da Barragem de Odelouca, Silves, a única no Algarve cuja água é exclusivamente para consumo público, vai garantir que não falte água na região até 2015 e que seja disponibilizada mais água para a agricultura. A barragem, cujo primeiro projeto tem quase 40 anos, começou a fornecer água aos consumidores no início de junho. A maior barragem do Algarve vai permitir garantir reservas de água para os próximos três anos, mesmo que não chova na região, 13 junho de 2012, em Silves. (ACOMPANHA TEXTO) LUIS FORRA/LUSA
Washington, 10 set (Lusa) – A situação de escassez mundial de água está a agravar-se rapidamente e deve ser assunto prioritário para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, defendem vários analistas em documento divulgado hoje, noticia a AFP.
A diminuição da disponibilidade mundial de água acarreta sérios riscos de segurança, desenvolvimento e sociais e pode prejudicar a saúde, as reservas de energia e a produção agrícola, alerta o relatório intitulado “The Global Water Crisis: Addressing an Urgent Security Issue” (“A Crise Mundial da Água: Resolver uma Urgente Questão de Segurança”).
O estudo foi divulgado pelo “InterAction Council” (Conselho de Interação”), um grupo de 40 destacados ex-chefes de Estado e governo, em parceria com o Instituto da Água, Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas e a canadiana Fundação Walter and Duncan Gordon.
“Como algumas destas nações já são politicamente instáveis, este tipo de crise pode ter repercussões regionais que se estendem para lá das suas fronteiras políticas”, afirmou a ex-primeira-ministra norueguesa, Gro Harlem Brundtland, que integra o grupo.
A ex-líder da Noruega realçou que o perigo é particularmente agudo na África subsariana, Ásia ocidental e África do Norte, onde já ocorrem faltas críticas de água.
O antigo primeiro-ministro canadiano, Jean Chretien, afirmou a jornalistas, durante uma conferência telefónica, que “o futuro impacto político da escassez de água pode ser devastador”.
No documento prevê-se que a procura de água nos dois países mais populosos, a China e a Índia, vai exceder a oferta em menos de duas décadas.
Os técnicos quantificam em 3.800 quilómetros cúbicos de água fresca a quantidade do líquido extraída anualmente dos ecossistemas aquáticos em todo o mundo, o que é atribuído em grande parte ao aquecimento global.
O crescimento populacional, entretanto, só agrava a situação de stress sobre os recursos aquíferos.
Com mais mil milhões de pessoas para alimentar em 2025, só a agricultura vai requerer à escala mundial mais mil quilómetros cúbicos de água por ano.
“Se usarmos a água da forma que a temos usado, não há qualquer possibilidade de sustentar a humanidade no futuro”, acrescentou Chretien.
O relatório foi divulgado quando os ministros dos Negócios Estrangeiros de vários países estão a preparar uma discussão especial sobre o assunto para o final de mês, à margem da assembleia-geral das Nações Unidas.
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