Espanha decidirá se pede ajuda à UE quando tiver situação clara

ANTONIO COTRIM
Bandeiras da Espanha e da União Europeia, hasteadas ao vento, 30 de maio de 2012 em Lisboa, ANTONIO COTRIM/LUSA
Madrid, 18 set (Lusa) – A vice-presidente do Governo espanhol afirmou hoje que o executivo decidirá se pede ou não ajuda financeira à União Europeia (UE) quando tiver as condições totalmente claras, atuando em defesa dos interesses dos cidadãos.
Soraya Saénz de Santamaría disse que antes de tomar essa decisão “há que medir os prós e contras” e ter um “clima de unanimidade” no seio da UE e depois, acrescentou, o executivo “tomará a melhor decisão para o conjunto dos espanhóis”.
Os comentários de Saénz de Santamaria foram proferidos numa altura de forte pressão sobre o Governo espanhol para que solicite o resgate, com o Governo a ser acusado de adiar a decisão até outubro, para não condicionar as eleições regionais da Galiza e País Basco.
A pressão alargou-se a algumas capitais europeias e à imprensa nacional e internacional.
Saénz de Santamaría foi questionada diretamente pelas recentes declarações do vice-presidente da Comissão Europeia, Joaquín Almunia, que advertiu Espanha de que manter incertezas sobre se vai solicitar a ajuda para a compra de dívida é um “risco”, dada a volatilidade dos mercados.
A número dois do Governo espanhol afirmou que Almunia “conhece bem” os procedimentos da UE e considerou que a sua opinião “não coincide” com a de outros comissários europeus.
“Não estamos aqui para opinar, estamos para tomar decisões e tomar decisões fundamentadas”, afirmou.
“Não seria responsável tomar uma decisão sem saber todas as consequências que tem”, considerou ainda.
Sáenz de Santamaría disse que a Europa “tem que reconhecer” as reformas que Espanha está a levar a cabo “com determinação e valentia”, bem como os sacrifícios e a austeridade de seus cidadãos.
Sobre a opinião do líder da oposição, Alfredo Pérez Rubalcaba – que disse na segunda-feira que nunca pediria um resgate porque isso representaria novos sacrifícios e afetaria a “marca Espanha” – Saénz de Santamaria disse que este deveria ter pudor por não se lembrar que "há pouco mais de um ano” era vice-presidente do Governo e deixou o défice em valores” elevadíssimos.
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