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O que têm em comum um arquiteto paisagista e uma geógrafa com um festival de artes performativas a realizar numa herdade alentejana? Aparentemente nada. Mas a verdade é que Miguel Carrelo e Joana Coelho, apaixonados pela natureza, mas também grandes consumidores de arte e cultura, decidiram lançar-se na organização do Festival Safira Artes na Paisagem.
Proprietários de uma herdade na freguesia de Safira, Montemor-o-Novo, que consideram “um local mágico”, quiseram partilhar o seu espaço e a sua paisagem com todos quantos admirem a conjugação entre natureza e arte da mesma forma. Sem apoios estatais ou grandes patrocinadores financeiros, o festival nasce da consagração de um sonho que já alimentavam há algum tempo: dar uma melhor utilização à herdade de que são proprietários e, em simultâneo, promover novos artistas e divulgar outros.
O Festival Safira teve uma primeira edição em 2011, num formato “muito caseiro”, como os próprios classificam. Sem qualquer experiência na organização deste tipo de iniciativas, o casal conseguiu reunir um cartaz para dois dias de festival e, com a ajuda de família e amigos, montar toda a estrutura. “Foi uma espécie de festa de amigos com um bocadinho mais de convidados”, diz Miguel Carrelo. Ao todo passaram pela herdade em 2011 cerca de 450 pessoas.O sucesso da experiência, que não deu qualquer lucro aos organizadores mas apenas “uma grande satisfação”, deixou a vontade de repetir. Contudo, o elevado investimento necessário refreou-lhes os ânimos.
Quis, no entanto, o destino que se cruzassem com Rui Horta, proprietário do Espaço do Tempo, um movimento cultural que explora o Convento da Saudação em Montemor-o-Novo, e homem de carreira feita no mundo do espetáculo para que os horizontes do Festival Safira pudessem alargar-se. É assim com muito trabalho e empenho que avançam com a edição de 2012 – já como Chaparro Inquieto (a empresa que criaram para a promoção de futuras edições) - que, assumem, será um ano de transição para o festival. “Conseguimos uma programação que nos permitiu crescer para três dias de festival, em que propomos uma programação de compromisso, entre espetáculos criados noutros contextos e obras concebidas especificamente no (e para o) local”, explica Miguel Carrelo.
Além de toda a diferenciação óbvia deste festival em relação a outras iniciativas culturais, é de destacar o facto de Miguel e Joana abrirem as portas de sua casa a todos os visitantes que se identifiquem com este conceito. A sala da habitação estará disponível para tertúlias, debates e mostras performativas. À volta, os cerca de 350 metros quadrados circundantes contarão com vários espaços de atuação, desde um palco principal reservado para a música, até às “arenas” onde decorrerão workshops ou leituras a que os vistantes poderão assistir sobre um dos fardos de palha que delimita o espaço. O festival convida ao descanso, pelo que a organização aconselha que os visitantes tragam uma toalha ou esteira para estender no chão, bem como ao convívio em família, uma vez que a programação serve os interesses de miúdos e graúdos. Pensado para o calor, o jardim de água permite refrescar os mais calorentos.
Os bilhetes de três dias custam 40 euros e a entrada diária fica em 10 euros, na sexta-feira, e em 20 euros no sábado ou no domingo. Há ainda diversos descontos de família, jovens e habitantes da região.
Para saber mais sobre o Festival Safira visite: www.safirafestival.com ou www.facebook.com/chaparroinquieto














