Idosas estavam amarradas por questões de segurança - dono da habitação que ardeu em Gaia

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Bombeiros retiram o corpo de uma das duas pessoas idosas que morreram esta manhã, vítimas de um incêndio que deflagrou no terceiro andar de um edifício na avenida da República, em Vila Nova de Gaia, 20 setembro 2012. ESTELA SILVA / LUSA
Porto, 20 set (Lusa) – As duas mulheres que hoje morreram num incêndio, em Gaia, estavam amarradas à cama por motivos de segurança e por serem doentes, disse o proprietário da habitação.
Rui Ribeiro, em declarações aos jornalistas, afirmou que as duas irmãs estavam amarradas “para não se deitarem da cama abaixo”, sendo que uma delas sofria de Alzheimer.
O proprietário disse ter acordado com “um barulho esquisito” e que quando saiu do quarto viu já “a garrafa de oxigénio a arder”.
Rui Ribeiro ainda abriu a porta do quarto das idosas para as salvar, mas “o fogo foi tão rápido” que não conseguiu abrir a janela daquela divisão da casa, só tendo tempo para fugir com a mulher para a varanda.
O fogo deflagrou no “hall” de entrada do terceiro piso do n.º 52 da rua Cabo Borges, local escolhido pelo proprietário da habitação para guardar botijas de oxigénio, o que impediu a saída dos dois sobreviventes pela porta.
O casal foi resgatado com vida pelos bombeiros, através da varanda da habitação, e não será necessário realojamento, porque os danos foram essencialmente causados pela água.
Rui Ribeiro salientou ainda que uma das vítimas estava há sete anos aos cuidados da mulher, enquanto a outra encontrava-se lá “por favor”.
“Não era fonte de rendimento nenhuma, o dinheiro que dava era para fraldas, comida e viver”, salientou, adiantando que a mulher, que foi enfermeira, tratava muito bem da idosa que tinha a seu cargo.
Uma vizinha do casal, moradora do 2.º andar do edifício tinha afirmado aos jornalistas que as idosas eram “a fonte de rendimento” do casal.
A mesma vizinha afirmou que as mulheres eram bem tratadas pelo casal, que considerou ser “muito bem-educado”.
Uma mulher que vive perto do edifício aonde deflagrou o incêndio, Dulce, afirmou à Lusa ter apanhado esta manhã "um grande susto".
"Vi duas pessoas na varanda muito aflitas. A senhora estava a querer entrar em casa para salvar as idosas, e o homem a agarrá-la para não a deixar entrar", relatou.
Segundo a fonte dos bombeiros, o alerta do incêndio foi dado às 09:20.
O vereador da Proteção Civil da Câmara de Gaia, Rui Cardoso, adiantou que “poderá ter havido uma pequena fuga de oxigénio” e que bastaria “ligar um interruptor para dar início ao incêndio”.
Os corpos das vítimas foram levantados do local às 12:10, sendo transportados para o Instituto de Medicina Legal do Porto.
JAP/JRS (SSS).


















