
Conselho de Segurança preocupado com aumento do tráfico droga na Guiné-Bissau desde golpe de Estado
Nações Unidas, Nova Iorque, 30 jul (Lusa) - O Conselho de Segurança da ONU manifestou hoje preocupação com o reportado aumento do tráfico de droga na Guiné-Bissau desde o golpe de Estado de abril, e também com a "contínua interferência dos militares" na política do país.
Negociada entre Portugal e o Togo, membro da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, desde a reunião da passada quinta-feira no Conselho de Segurança, marcada por divergências entre a CPLP e CEDEAO, a declaração do Conselho apela ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para se "envolver ativamente" na "harmonização das posições dos parceiros internacionais".
Refere ainda que foi "discutida" entre os 15 países membros uma "possível" reunião de alto nível internacional juntando os principais parceiros internacionais e atores guineenses, para chegar a uma "estratégia abrangente e integrada e um plano de ação de curto e longo prazo para reposição total da ordem constitucional" no país.
Na reunião da semana passada, António Gumende, embaixador de Moçambique na ONU e representante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na reunião, e Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil que preside à Comissão de Consolidação da Paz da ONU para a Guiné-Bissau, apelaram ambos a Ban Ki-moon para convocar uma reunião internacional de alto nível.
A declaração de hoje foi a primeira tomada de posição do Conselho de Segurança em relação à Guiné-Bissau desde a resolução de 18 de maio, que impôs sanções a cinco oficiais guineenses acusados de montarem o golpe de Estado de 12 de abril.
Segue-se ao relatório elaborado este mês por Ban Ki-moon, alertando para que o narcotráfico está em crescendo desde o golpe, e a situação humanitária em degradação, exigindo resposta mais firme da comunidade internacional.
O mesmo alerta foi feito recentemente ao Conselho de Segurança pelo representante do secretário geral da ONU para a África Ocidental, Said Djinnit, que disse que as redes de narcotráfico estão mais ativas e influentes no país nos últimos meses.
Na declaração hoje emitida, os membros do Conselho "condenam a interferência contínua dos militares na política e exprimem preocupação com os relatos de aumento trafico droga desde o golpe de Estado".
Renovam ainda a "exigência de restabelecimento total da ordem constitucional" no país, pedindo a todos os atores e sociedade civil que participem "num processo de transição consensual, inclusivo e liderado pelos guineenses", com apoio da CEDEAO e CPLP.
Sublinham ainda a necessidade de "coordenação de esforços internacionais" para lidar com a crise" no país.
Sobre o processo eleitoral legislativo e presidencial, indicam a necessidade de serem estabelecidos "calendários claros" para uma votação "livre, justa e transparente em linha com a legislação nacional e padrões internacionais".
Pedem ainda "medidas concretas" em "áreas chave para estabilidade de longo prazo", tais como a reforma do aparelho militar e de segurança, respeito e promoção do Estado de Direito, criação de um "ambiente de maior controlo sobre as forças segurança", e combate "à impunidade e tráfico droga e promoção do desenvolvimento".
PDF.
Lusa/Fim








