
Mineiros espanhóis descendentes de portugueses fazem primeira jornada da marcha até Madrid
*** Serviço vídeo disponível em www.lusa.pt ***
André Sá (Texto) e Estela Silva (Fotos), da Agência Lusa
Léon, Espanha, 23 jun (Lusa) - Pouco mais de oitenta mineiros partiram na sexta-feira da cidade mineira de Villablino em protesto contra os cortes do setor espanhol do carvão e em direção a Madrid, numa marcha que, para já, tem decorrido "sem problemas".
Os trabalhadores em protesto entrevistados pela Lusa salientaram o apoio dos populares à luta dos mineiros que na primeira paragem desta jornada, na localidade asturiana de Múrias de Paredes, têm aproveitado para discutir pormenores da manifestação agendada para 19 de julho na capital espanhola.
Manuel Rodrígues Eires, natural de Villablino, trabalha nas minas há apenas oito anos, mas já só espera que "as pernas aguentem" a viagem de 19 dias que realiza com os colegas e que tem sido acompanhada, nesta primeira jornada, pelo que diz serem incentivos "preciosos" por parte dos populares de todas as localidades por onde passaram.
Este mineiro de 41 anos nasceu pouco depois de o pai ter emigrado de Murça, Vila Real, para trabalhar nas minas de carvão da cidade onde viria a constituir família, e à Lusa disse que não vê "grandes alternativas" ao trabalho na região das Astúrias, pelo que se caminhar em falso, restar-lhe-á "seguir as pisadas do pai" e emigrar também.
Já Albano Gonçalves Sanchéz nasceu há 36 anos em Ponferrada, Léon, filho de pai flaviense e mãe asturiana, e considerou à Lusa que o seu emprego está "pior que em perigo".
Este mineiro em greve e em marcha seguiu também as pisadas do pai, já reformado das minas de Villablino, e também receia ter que voltar a segui-las, desta feita rumo à emigração.
"Não nos ligam nenhuma", disse à Lusa, em relação ao Governo espanhol, criticando em seguida as palavras da ministra do Emprego, Fátima Báñez, que considerou esta semana no parlamento espanhol as pensões dos mineiros "muito razoáveis".
"Esta ministra diz que somos todos milionários", referiu Albano Sanchéz, questionado quanto às condições salariais dos mineiros de Villablino, para garantir que os trabalhadores do setor na região, "nos últimos sete anos", não têm trabalhado "mais de seis meses seguidos" e que passam largos períodos sem receber.
Com esposa desempregada e uma filha menor, o mineiro descendente de pai português disse à Lusa que planeia fazer "muito ruído em Madrid", em defesa da própria família, colegas e trabalho.
Questionado quanto ao risco de violência, disse apenas que "a acontecer, terá que partir da Guardia Civil", porque "parecendo que a violência parte dos mineiros, muitas vezes acontece em resposta à provocação dos outros".
"Defendemo-nos como podemos", asseverou.
Também Vítor Pinheiro Gonçalves, 35 anos, doze de trabalho nas minas de Villablino e "filho de pais de Braga", admitiu à Lusa que poderá ter que "acabar por emigrar", algo que para os pais não "cairia bem", na medida que terão "passado muito mal" quando emigraram, pelo que não gostaria que vissem o filho passar pelo mesmo.
Os mineiros em marcha desde Villablino seguem hoje rumo à localidade de Bembibre, León, onde deverão encontrar-se com outros tantos trabalhadores em protesto, para rumarem de seguida a La Robla, onde outro bloco de mineiros asturianos deverá juntar-se à marcha de protesto até Madrid.
ACYS.
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