João Semedo e Catarina Martins prontos para assumir liderança do BE caso seja a vontade dos militantes

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Os deputados do Bloco de Esquerda João Semedo (D) e Catarina Martins (E) apresentam em conferência de imprensa a moção apoiada pela atual direção do BE à próxima Convenção Nacional, 20 setembro 2012, na sede do Bloco de Esquerda. em Lisboa. JOÃO RELVAS / LUSA
Lisboa, 20 set (Lusa)- Os deputados do BE João Semedo e Catarina Martins afirmaram hoje que a liderança partilhada do partido "não lhes é estranha" e rejeitaram que seja "um problema", afirmando que estão prontos a assumir as funções de coordenação política.
Na conferência de imprensa de apresentação da Moção A à VIII Convenção do BE, que coube a João Semedo e Catarina Martins, ambos os deputados fizeram a defesa da liderança paritária do partido, que lhes caberá caso a proposta da atual direção seja aprovada na próxima reunião magna.
"Esta solução tem muitas potencialidades, tem fortíssimas razões que a justificam, é uma solução paritária, é uma expressão e um instrumento do trabalho coletivo e tem também a vantagem de partilhar e complementar projetos, trajetos, muito diferentes, experiências profissionais e de vida, esta solução do nosso ponto de vista é uma grande riqueza para a coordenação do BE", afirmou João Semedo.
Também Catarina Martins disse que "a coordenação política é sempre um trabalho de ouvir muitas vozes e de ter uma linha concreta e clara, que as pessoas percebam, do que é atividade política e as propostas do BE".
"Isso é feito com um coordenador, com dois, tem sido feito com modelos diferentes, foram já quatro os porta-vozes do BE, o que nos interessa acima de tudo é uma direção política forte", assinalou.
Questionado pelos jornalistas como será a vida nas campanhas eleitorais do BE com dois coordenadores, Semedo advogou que "nada disso é estranho" e que "não seria a primeira vez" que estaria com Catarina Martins "numa campanha nas ruas ou em qualquer outro lado".
"Isso não é problema, nós escolhemos e fizemos esta proposta, se esta for a proposta aprovada pelos aderentes do BE na Convenção têm à sua frente os dois futuros coordenadores do BE", respondeu.
O dirigente do BE referiu que no futuro, caso sejam eleitos coordenadores, "seguramente" terão de "acertar posições" como terão "de acertar posições com todos os membros da direção política do BE e, quando necessário, com todos os membros e aderentes do BE".
"Isso não é nenhum transtorno", desdramatizou, fazendo mais à frente um comentário bem-humorado sobre este tema: "Julgo até que para quem tinha dúvidas de que dois coordenadores funcionam perfeitamente estamos a dar um bom exemplo, se me permitem falar em causa própria".
Já questionado se este é um modelo de sucessão "dinástica" de Francisco Louçã, Semedo rejeitou essa visão em toda a linha.
"O Francisco Louçã participou nesta discussão como todos os outros dirigentes, todos os outros promotores da Moção A, sem nenhum estatuto especial, sem nenhum direito especial, mas também sem perder direitos nessa discussão por ser coordenador do BE, teve a sua opinião e ela é conhecida publicamente", declarou.
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