Milhares de madeirenses na maior manifestação popular na região nos últimos anos

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O presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz (PSD), o concelho que mais cresceu segundo os dados preliminares dos Censos 2011 hoje divulgados, considerou que o aumento de 44,74 por cento é motivo de “orgulho”, mas também de “apreensão, Santa Cruz, 30 de Junho de 2011. (ACOMPANHA TEXTO) HOMEM DE GOUVEIA/LUSA
Funchal, 15 set (Lusa) - Milhares de pessoas, incluindo muitas crianças, desfilaram hoje no Funchal, naquela que pode ser considerada a maior manifestação popular dos últimos anos, associando-se a ação nacional "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!", convocada nas redes sociais.
O apelo a esta iniciativa surgiu na Internet, em agosto, foi inicialmente organizada por algumas pessoas de Lisboa, mas acabou por ser acolhida em várias regiões de Portugal, assim como em Fortaleza (Brasil), Berlim, Barcelona, Bruxelas, Paris e Londres, e acabou por tomar uma dimensão maior depois do anúncio, na passada semana, das novas medidas de austeridade pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
O apoio dos madeirenses a esta ação popular surpreendeu até os impulsionadores da iniciativa na Madeira, dois "jovens sem futuro", Ricardo Vieira e Duarte Rodrigues, "tendo em conta a falta de cultura de manifestação que a região tem, pelo que a democracia agradece e mostra que está na altura de mudar".
Recorde-se que em novembro de 2011, uma professora tentou por duas vezes reunir os madeirenses no designado movimento dos "indignados", que ninguém apoiou.
"Nunca se pensou que fosse atingir esta adesão, o que é um exemplo democrático", disse à agência Lusa Duarte Rodrigues, salientando que "os madeirenses estão de parabéns e provaram que ainda têm o gene da revolta das água, do trigo, a revolta da Madeira".
Segundo este jovem, " o povo madeirense pode parecer estar estagnado, mas na hora certa acorda, é um género de um vulcão adormecido".
Duarte Rodrigues destacou que os madeirenses são "sofredores, mas também sabem na altura certa de dizer basta".
Entre os populares que desfilaram no Funchal, no âmbito desta manifestação que os organizadores frisaram ser "do povo e para o povo, apartidária", além de figuras de várias forças partidárias estavam o artista plástico Rigo, o geógrafo Raimundo Quintal, atores e muitos funcionários públicos, com destaque para muitos professores.
"Gatuno" e "Passos ladrão, o vosso lugar é na prisão" foram algumas das palavras de ordem ouvidas durante o protesto.
Muitos cartazes diziam "a nossa luta é internacional", "público e privados é só desempregados", "quem semeia miséria colhe fúria".
A concentração esteve inicialmente programada para partir do parque de Santa Catarina, mas a Câmara Municipal do Funchal acabou por retroceder na disponibilização do espaço devido à realização do concerto do canal Panda.
O grupo de manifestantes partiu da praça do Infante, percorreu várias artérias até ao Largo do Município, tendo o desfile decorrido sem registo de incidentes.
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