MNE alemão defende criação de fundo monetário europeu, em alternativa ao FMI

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epa03397825 German Foreign Minister Guido Westerwelle gives a statement at the Foreign Office in Berlin, Germany, 14 September 2012. The German and British embassies in Khartoum were attacked on 14 September by angry protesters railing against an anti-Islam film, according to German officials and broadcaster al-Jazeera. The report said the protesters replaced the German flag with a black one. Security forces used tear gas to disperse the crowd, which was trying to set the building alight. EPA/ROBERT SCHLESINGER
Berlim, 18 set (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, propôs hoje a criação de um fundo monetário europeu para que a Europa não tenha de continuar a recorrer ao FMI para se financiar, devido à atual crise.
O financiamento da Europa através do Fundo Monetário Internacional (FMI), um dos parceiros da chamada "troika", "levanta questões morais e éticas", disse o chefe da diplomacia alemã na abertura, em Berlim, da conferência internacional "O Valor da Europa".
De momento, a União Europeia e a zona euro "precisam do FMI, não há outra solução", advertiu o MNE germânico.
Westerwelle vai estar também no encerramento dos trabalhos da conferência, esta tarde, num painel em que participa também o chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Portas.
No discurso de abertura, o político liberal alemão sublinhou repetidamente a necessidade de a Europa se unir para defender os interesses a nível mundial, lembrando que países como a China, a Índia e o Brasil, que ainda há alguns anos eram considerados países em desenvolvimento, se vão tornar em breve grandes potências económicas mundiais.
Westerwelle acrescentou que, para se retirarem os ensinamentos da crise da dívida soberana, "tem de haver mais Europa, mas uma Europa melhor, que consiga afirmar-se".
Outra tónica do discurso foi a condenação das tentativas de renacionalização e dos preconceitos entre os vizinhos europeus, "que devem pertencer ao passado".
A forma como a Europa conseguir superar a atual crise "vai determinar a forma como o processo de integração europeu vai ser visto no mundo", afirmou Westerwelle.
"Sem vontade, a Europa será considerada um continente velho que se atrasa em relações aos países emergentes", vincou o ministro alemão.
Westerwelle condenou as recriminações mútuas entre parceiros europeus, sublinhando que Berlim "não deve apontar o dedo aos outros para que não lhe apontem o dedo".
O Tratado de Maastricht "foi enterrado sobretudo" na Alemanha, que forçou a violação dos limites dos défice, em consonância com a França, à entrada no novo século, disse.
O chefe da diplomacia alemão pediu "mais atenção às boas notícias" no combate à crise, nomeadamente sobre o que se passa nos países sob resgate, lembrando que a Irlanda "está no bom caminho" para regressar aos mercados de capitais, e Portugal conseguiu um saldo positivo da balança comercial, "o que não acontecia há 70 anos".
Na conferência "O Valor da Europa" participa também o deputado socialista português Pedro Delgado Alves, que vai intervir esta tarde no painel "Europa, Um Projeto de Futuro: Que Europa Queremos?".
FA.



















