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Sentido das Letras / Copyright 2008 - 11/7/2007 10:25 AM

Se a empresa não for sexy, morre

Numa economia cada vez mais global, a sobrevivência das empresas depende do seu modelo de negócio. O segredo do sucesso está em criar vantagens competitivas pela forma como as pessoas pensam e não pelo que as organizações fazem

Durante uma visita a Portugal, Jonas Ridderstrale, um guru sueco, fez uma palestra sobre a importância de surpreender nos negócios, ao invés de ser surpreendido, numa sociedade onde os gestores têm cada vez mais poder e os mercados são também muito mais eficientes. Trata-se de uma questão de sobreviência, defende o guru. As empresas bem sucedidas devem procurar a inovação para se ajustarem ao mercado e se tornarem mais ‘sexy’. “Os negócios adaptam-se, atraem ou são extintos”, disse ainda Jonas Ridderstrale. O futuro exige negócios fora do comum, pelo que as empresas devem reinventar a inovação, a gestão e a liderança. E é aqui que reside a importância dos talentos.

A sua visão imaginativa da vida contemporânea e as teorias que apresenta para os negócios são reais. Ele aplica realmente aquilo que teoriza e actua como um conselheiro para uma série de empresas multinacionais. Os exemplos que dá não são banais, mas também não se reduz às histórias mais rebuscadas. Ele foca a sua investigação em novos modelos organizacionais e estilos de liderança que se enquadrem num mundo globalizado e standard, mas que marquem a diferença.

O poder do cérebro é hoje mais importante do que a força do músculo. Na opinião de Jonas Riddestrale, as empresas têm estado muito ocupadas em reduzir custos e melhorar processos, mas enquanto o fazem o capital intelectual fica enfraquecido. “É preciso voltar a dar energia às empresas atavés do capital intelectual”.

Para serem diferentes num mundo tão standartizado, as empresas têm que saber marcar a diferença. “Se se ajustam, morrem, se se diferenciam tornam-se sexy, apetecíveis, melhores face à concorrência”. Mas, para consegui-lo, as têm que parar para pensar quais são as suas vantagens competitivas, em que é que são melhores do que os outros, e no que podem fazer para se diferenciar. “Se estas diferenças não existem ou não puderem ser criadas, é o princípio do fim”, garante Jonas Ridderstrale.

Um exemplo do que pode ser uma vantagem competitiva é o diálogo na organização. Em vez de querer ter as respostas, devemos antes colocar questões. “Uma questão é algo que inícia um processo, abre portas”, explica Jonas. Depois, é responsabilidade da empresa usar essas questões, pensar sobre elas e abrir um diálogo na empresa. O resultado será sempre diferente em cada organização, pois os talentos e as competências de cada uma são também distintos.

O guru aconselha, pois, as organizações a personalizarem-se, a aumentar as diferenças, para depois conseguir uni-las e criar capital social, criar uma tribo e acreditar num sonho. Isso será o fim do Karaoke Capitalism em que vivemos, e de que Jonas fala no seu último livro: “devemos ser a surpresa e não a cópia do que já existe”. Está, pois, na altura de soltar os indivíduos únicos para criar diferenças num mundo standard.

Quem é Jonas Riddestrale?

É sueco, tem 33 anos e detém um MBA e PhD em International Business. No seu país de origem foi reconhecido como jovem académico do ano quando se doutorou. Foi professor assistente na Escola de Economia de Estocolmo, onde era responsável pelo Programa de Gestão Avançada, um seminário de cinco semanas para gestores de topo.

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