ONG pede ao Banco Mundial para rever ajuda ao Ruanda, devido a violações dos direitos humanos

C
epa03162491 Kenneth Roth (C), executive director of Human Rights Watch talks with journalists during a press conference in Kabul, Afghanistan, 28 March 2012. Human Rights Watch said on 28 March that about 400 Afghan women and girls accused or convicted of 'moral crimes' are imprisoned in Afghanistan. Their moral crimes include running away to escape beatings or forced marriages, said Human Rights Watch, which described the women and girls as being victimized twice. EPA/S. SABAWOON
Kinshasa, 23 set (Lusa) - A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) pediu ao Banco Mundial para “rever” a ajuda ao Ruanda, alegando provas de violações dos direitos humanos e o apoio das forças armadas ruandesas a grupos armados na RDCongo.
Numa carta a que a agência AFP teve hoje acesso, a HRW exorta o Banco Mundial “a manifestar ao governo ruandês as preocupações relativas às graves violações dos direitos humanos no Ruanda e ao apoio militar (…) a grupos armados que violam os direitos humanos na RDCongo (República Democrática do Congo), tanto em publicamente como em privado”.
A HRW lembra na missiva, a que junta uma síntese de uma dezena de páginas sobre as “principais preocupações de direitos humanos particularmente pertinentes no programa do Banco Mundial”, que esta instituição é um dos mais importantes doadores de fundo do Ruanda.
Os apoios a projetos em curso atingiam em março passado cerca de 300 milhões de dólares (231,2 milhões de euros), 100 milhões dos quais para apoio ao orçamento anual do país, de acordo com a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos.
A ONG escreve que em julho passado continuou a receber informações credíveis sobre o apoio militar ruandês ao M23.
Este movimento, que combate o exército regular no leste da RDCongo, controla uma parte da região do Kivu Norte e apresenta-se como um movimento rebelde integrado por antigos militares da RDCongo, negando qualquer ligação ao Ruanda.
No entanto, segundo a HRW “entre os homens recrutados no Ruanda para apoiar o M23 na RDCongo figuram nomeadamente soldados desmobilizados das forças armadas ruandesas.
Ainda segundo a ONG, alguns foram levados do outro lado da fronteira para se juntarem ao M23 na RDCongo.
Menores, alguns com menos de 15 anos, terão sido também “recrutados à força ou com um falso pretexto no Ruanda”.
Recordando que em julho e agosto últimos, a Alemanha, Estados Unidos, Holanda, Reino Unido e Suécia suspenderam ou atrasaram parte da ajuda ao Ruanda, a HRW pede ao Banco Mundial para “rever todos os programas e projetos no país para garantir que os seus fundos não contribuem para atentados dos direitos humanos, direta ou indiretamente, quer seja no Ruanda ou na RDCongo”.
NV.


















