
Bruxelas diz que "recuperação lenta" está a chegar, mas desemprego mantém-se elevado na Europa
Bruxelas, 11 mai (Lusa) - Bruxelas chama-lhe uma "recuperação lenta", mas os principais indicadores económicos de diversos países permanecem no vermelho: o desemprego manter-se-á elevado e a zona euro terá uma contração de 0,3 por cento da sua economia este ano.
Nas "previsões da primavera" hoje reveladas, a Comissão Europeia prevê uma contração de 0,3 por cento da economia da zona euro em 2012, e uma estagnação no conjunto da União Europeia, com uma ligeira retoma a ocorrer apenas em 2013, confirmando as projeções de fevereiro passado.
Já quanto ao desemprego, a Comissão estima que este se fixe em valores recorde de 11 por cento na zona euro e 10,3 na UE tanto este ano como no próximo, revendo assim em alta as "previsões de outono", de novembro de 2011, quando antecipava uma taxa de desemprego na zona euro de 10,1 este ano e 10,0 no próximo, e no conjunto da União de 9,8 em 2012 e 9,6 em 2013.
Em termos de crescimento, as "previsões da primavera", divulgadas pelo executivo comunitário, estão em linha com as "previsões intercalares" de fevereiro passado, quando reviu em baixo as projeções de crescimento tanto para a zona euro (-0,3 em vez de um ligeiro crescimento de 0,3) como para a União Europeia a 27 (estagnação, em vez de um crescimento de 0,6 pontos).
Bruxelas conta que a lenta recuperação económica comece a ter lugar em 2013, com um crescimento de 1,0 por cento na zona euro e de 1,3 por cento na UE.
Como "boa notícia", a Comissão indica nestas suas previsões da primavera que as finanças públicas dos Estados-membros continuam a conhecer progressos, esperando-se que os défices orçamentais continuem a baixar, de 4,1 por cento na zona euro e 4,5 na UE em 2011 para 3,2 e 3,6 por cento, respetivamente, este ano, e para 2,9 e 3,3 por cento no próximo.
Para Portugal, o executivo comunitário estima que a economia encolha 3,3 por cento este ano e cresça 0,3 por cento em 2013.
Os números das previsões de primavera da Comissão, idênticos aos da última revisão do memorando de entendimento entre Portugal e a 'troika', são mais pessimistas que os apresentados este mês pelo Governo no seu Documento de Estratégia Orçamental (DEO). O Executivo espera que o Produto Interno Bruto (PIB) diminua 3 por cento em 2012 e aumente 0,6 por cento no próximo ano.
Ainda nos países sob programa de ajustamento económico, a Grécia sofrerá uma recessão mais acentuada do que o previsto este ano, sendo a única da zona euro a entrar em deflação. A Irlanda, por sua vez, verá as exportações continuarem a compensar a contração do consumo interno, pelo que a economia deverá continuar a crescer 0,5 por cento em 2012 e 1,9 por cento em 2013.
A economia alemã, por seu turno, deverá crescer 0,7 por cento este ano e 1,7 por cento em 2013, e o desemprego deverá diminuir. Já a economia francesa desacelerará este ano para um crescimento do PIB de apenas 0,5 por cento, que aumentará para 1,3 por cento em 2013, ainda assim, abaixo do crescimento de 2011.
PPF/ACC (ASP/SMS/BM/PGR).
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