
Conservadores alemães consideram acusações de Juncker "cúmulo do atrevimento"
Berlim, 30 jul (Lusa) - Os democratas cristãos da Baviera (CSU), um dos partidos do Governo alemão, rejeitaram hoje as críticas do presidente do eurogrupo, Jean-Claude Juncker, à política europeia da Alemanha, e à forma como Berlim lida com a zona euro.
"É o cúmulo do atrevimento o senhor Juncker apresentar a Alemanha como parte do problema, seria melhor ele próprio pensar se é parte do problema ou da solução", disse hoje, em Munique, o secretário-geral da CSU, Alexander Dobrint.
Juncker afirmou, em entrevista publicada hoje no jornal Sueddeutsche Zeitung, que a Alemanha "trata a zona euro como se fosse uma filial".
O político luxemburguês considerou ainda as profecias de alguns políticos alemães, incluindo o ministro da economia, Philipp Rösler, e vários responsáveis da CSU, de que a Grécia abandonará a zona euro "mera conversa fiada", recomendando-lhes mais moderação.
Dobrint respondeu pondo em causa a continuidade de Juncker como presidente do eurogrupo, e perguntando se ele deve manter-se em funções, após esta polémica.
"Acho que devemos colocar nisso, pelo menos, um grande ponto de interrogação", afirmou o político bávaro.
Outro político da CSU, Hans Mittelbach, criticou também o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, por este ter afirmado, na semana passada, que esta instituição "fará tudo o que for preciso" para salvar o euro.
As declarações de Draghi foram interpretadas pelos analistas como um sinal de novas intervenções do BCE nos mercados de capitais para comprar dívida pública da Espanha e provavelmente de Itália, aliviando assim a pressão dos altos juros sobre estes países da moeda única.
"Ele não tem nenhum mandato para comprar dívida pública e se isto continua assim temos de chegar à conclusão de que o senhor Draghi está no lugar errado", disse o chefe do núcleo de pequenos e médios empresários da CSU.
O ramo bávaro da CDU da chanceler Angela Merkel, mais eurocético do que o partido da chanceler, insistiu também na retirada da Grécia da zona euro, rejeitando novas ajudas financeiras a Atenas.
"Não creio que a Grécia consiga resolver os seus problemas financeiros, e se faltar aos seus compromissos não deve receber mais ajudas", disse o presidente da CSU e governador da Baviera, Horst Seehofer, em entrevista à televisão pública ARD.
FA.
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