França está empenhada na procura de solução política na Síria - Hollande

França está empenhada na procura de solução política na Síria - Hollande

Paris, 11 ago (Lusa) - O presidente francês, François Hollande, afirmou hoje que a França está empenhada na "busca obstinada de uma transição política na Síria", durante uma homenagem ao 88.º soldado francês morto no Afeganistão.

Hollande recordou que Paris está a montar um hospital de campanha na Jordânia, perto da fronteira com a Síria, "para ajudar os refugiados, mas também os combatentes que enfrentam uma repressão levada a cabo por um regime mobilizado apenas pelo medo do seu próprio fim".

A este "dever humanitário", junta-se um "apoio à oposição síria" e "a busca obstinada de uma transição política na Síria", afirmou o presidente francês durante uma homenagem ao major Franck Bouzet.

As declarações de Hollande surgem depois de o ex-presidente Nicolas Sarkozy, derrotado nas eleições de 6 de maio, ter feito críticas implícitas à política da França face à Síria.

Num comunicado comum com o presidente do Conselho Nacional Sírio, principal órgão da oposição, Abdel Basset Sayda, com quem se reuniu esta semana, Sarkozy afirmou "a necessidade de uma ação rápida da comunidade internacional para evitar massacres" e sublinhou existirem "grandes semelhanças com a crise na Líbia" que, em 2011, foi alvo de uma intervenção militar internacional em que a França teve papel de relevo.

O 88.º soldado francês morto no Afeganistão foi morto na terça-feira durante um confronto com rebeldes, numa altura em que Paris prepara uma retirada total das suas tropas no país até ao final do ano.

Sobre esse assunto, Hollande afirmou que a missão no Afeganistão "está cumprida", pelo que "a retirada das forças combatentes [francesas] está em marcha e ficará concluída no final do ano".

Insistiu que o envio de tropas francesas para o país, desde o final de 2001, foi decidido com base num mandato do Conselho de Segurança da ONU, "no âmbito de uma ampla aliança" para combater um regime que estava aliado com a organização terrorista Al Qaeda.

"A França não luta pela sua influência no mundo, nem pelos seus interesses, mas sim por valores e princípios. Esse é o sentido da presença da França no Afeganistão", disse.

Garantiu no entanto que os militares franceses continuarão a dar formação ao exército afegão, "para garantir a soberania do país", e que se manterá a cooperação civil, em virtude de um acordo bilateral ratificado pelo parlamento francês nas últimas semanas.

FPA.

Lusa/Fim.