
Governo "deita dinheiro para a rua" com privados e quer "selvajaria das praças de jorna" - Francisco Louçã
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Elvas, 24 fev (Lusa) - O coordenador nacional do BE, Francisco Louçã, acusou hoje o Governo de promover a "selvajaria das praças de jorna" e "deitar dinheiro para a rua" com "uma facilidade assustadora", ao pretender subsidiar agências de trabalho temporário.
"O Governo deita dinheiro para a rua com uma facilidade assustadora. Não há recursos no Orçamento do Estado, há um enorme desemprego e qual é a solução do Governo? É entregar dinheiro às empresas de trabalho temporário", criticou.
O jornal Público avança hoje que o Governo vai pagar às agências privadas de emprego que arranjem trabalho a desempregados não subsidiados, afirmando que essa medida deverá passar para o terreno até ao final do ano e faz parte do Programa de Relançamento do Serviço Público de Emprego.
Francisco Louçã reagiu a esta proposta em declarações aos jornalistas em Elvas, à margem de uma sessão com estudantes na Escola Secundária D. Sancho II, em que aproveitou ainda para lembrar os números do desemprego dos jovens.
"Um terço dos jovens entre os 15 e os 24 anos estão no desemprego, não têm futuro à sua frente", recordou, frisando que estes "são os números mais preocupantes da economia portuguesa".
Perante esta situação, acusou, a resposta do Governo "é entregar dinheiro às empresas de trabalho temporário ou a outras que vivem, promovem e beneficiam do desemprego", o que cria "uma espécie de praças de jorna, em que estas empresas vão buscar pessoas para trabalharem uma hora aqui, uma hora acolá".
O executivo, sublinhou Louçã, está a alimentar "todo esse 'polvo' enorme que se move na sombra do desemprego", atribuindo a essas empresas de trabalho temporário "um financiamento suplementar para fingirem que gerem carreiras ou oportunidades".
"Temos que ir exatamente no sentido contrário", contrapôs, revelando que o BE "está a preparar" uma iniciativa, a apresentar "nas próximas semanas" no Parlamento, para combater os "abusos que as empresas de trabalho temporário exercem e que o Governo agora quer favorecer".
Ou seja, disse, "onde o Governo quer favorecer as empresas de trabalho temporário que exploram os trabalhadores, nós queremos garantir aos trabalhadores o seu salário e o seu contrato quando estão, efetivamente, a trabalhar numa determinada área".
E, "onde o Governo quer a 'selvajaria das praças de jorna', nós queremos o direito das pessoas que trabalham e que sabem o que estão a fazer", acrescentou.
RRL.
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