Guiné-Bissau: Partido União para Mudança propõe formação novo Governo liderado pelo PAIGC

Guiné-Bissau: Partido União para Mudança propõe formação novo Governo liderado pelo PAIGC

Bissau, 06 ago (Lusa) - O partido União para Mudança (UM) propõe que seja criado um novo Governo na Guiné-Bissau que seria liderado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) como forma de se ultrapassar a crise no país.

Formação política sem representação parlamentar mas bastante interventivo no cenário político guineense, a UM faz esta proposta num documento, a que agencia Lusa teve hoje acesso, que entregou ao Presidente de transição, Serifo Nhamadjo.

Intitulado propostas de solução para os problemas que caraterizam o atual momento político da Guiné-Bissau, o documento faz um diagnóstico do país desde o golpe de Estado de 12 de abril, alertando para os perigos que o país corre caso não sejam adotadas medidas urgentes.

Para o partido liderado por Agnelo Regala, antigo porta-voz do falecido Presidente Malam Bacai Sanhá, era melhor que o Presidente de transição, Serifo Nhmadjo, convidasse o PAIGC (partido maioritário) a formar um novo Governo, o qual seria de base alargada.

"Esta poderá constituir uma forma de atenuar a ação adversa e o isolamento da comunidade internacional e permitir o início de contactos mesmo que oficiosos com a mesma", nota a UM.

O partido pede ainda ao Presidente de transição que seja mais interventivo na busca de diálogo entre as principais forças políticas no Parlamento, que se inicie ações tendentes à realização de eleições gerais no prazo fixado pela Carta de Transição, mas antes que se crie uma comissão eventual para a revisão da lei eleitoral.

No entanto, a União para Mudança diz que pouco tem sido feito com vista à realização de eleições gerais dentro de 10 meses.

À comunidade internacional, a UM pede que não transforme a Guiné-Bissau "num palco de contendas diplomáticas e geoestratégicas", mas sim que faça um esforço conjugado para ajudar o país a ultrapassar "os graves e múltiplos problemas" que tem.

A Guiné-Bissau conheceu mais um golpe de Estado no dia 12 de abril passado, protagonizado pelos militares que destituíram o Governo e o Presidente eleitos, colocando nos seus lugares novas autoridades para gerir, transitoriamente, o país durante 12 meses.

Tirando a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), a restante comunidade internacional não reconhece as novas autoridades de Bissau.

MB.

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