Líderes europeus novamente em busca de soluções que acalmem os mercados

Líderes europeus novamente em busca de soluções que acalmem os mercados

Bruxelas, 28 jun (Lusa) - Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia encontram-se a partir de hoje em Bruxelas, para mais uma cimeira que será dominada pela crise do euro, em busca de decisões que travem a desconfiança dos mercados.

Mais do que nunca, a Europa está sob pressão para pôr um travão na crise da dívida soberana, que agora está a "estrangular" Espanha e Itália, mas, à partida para esta reunião, que decorre entre hoje e sexta-feira, são mais as incógnitas do que os consensos em torno das matérias que estarão em cima da mesa, designadamente um reforço da União Económica e Monetária e uma estratégia ambiciosa para o crescimento.

Na carta-convite enviada esta semana para as 27 capitais, o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, advertiu que a reunião desta semana em Bruxelas deverá, "mais do que nunca", sinalizar "de forma clara e concreta" que tudo está a ser feito para responder à crise.

Madrid e Roma já avisaram, por seu lado, que são necessárias decisões para o imediato, que acalmem os mercados, sendo de esperar que coloquem em cima da mesa as questões da possibilidade de ajuda direta aos bancos e de compra da dívida nos mercados secundários.

No entanto, os grandes assuntos em agenda são mais genéricos, havendo por isso o receio de que os chefes de Estado e de Governo, como tantas vezes aconteceu ao longo das já duas dezenas de cimeiras realizadas desde a crise grega, em 2009, se limitem a chegar a princípios de acordo, que depois pouco ou nada avançam.

Uma das grandes dúvidas em torno do desfecho desta cimeira é que passos serão dados no sentido de um reforço da União Económica e Monetária.

Fontes diplomáticas indicaram que a medida mais imediata que poderá ser acordada, até por dispensar alterações aos Tratados, é a de uma União Bancária, uma ideia também já defendida pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

No entanto, mesmo os moldes dessa união bancária, e quem nela participaria - o Reino Unido já anunciou a sua tradicional "dispensa" - não deixam adivinhar facilidades nas discussões, que terão lugar hoje à noite.

Outra grande questão em cima da mesa será uma estratégia ambiciosa para o crescimento, havendo vários Estados-membros que defendem que deve ser assente desde já no orçamento comunitário plurianual 2014-2020, outro tema em agenda.

No final do Conselho Europeu, na sexta-feira, terá lugar um almoço de trabalho dos 17 líderes da zona euro, devendo as atenções estar centradas em Espanha, mas também Itália e Chipre.

Portugal estará representado no Conselho Europeu pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, estando o início da reunião agendado para as 15:00 locais (14:00 de Lisboa).

ACC(PPF/IG).

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