Ministro da Defesa responsabiliza PS por falta de condições para cumprir programas de reequipamento

Ministro da Defesa responsabiliza PS por falta de condições para cumprir programas de reequipamento

Lisboa, 17 jul (Lusa)- O ministro da Defesa responsabilizou hoje, a propósito da denúncia do contrato dos helicópteros NH90, os anteriores governos socialistas por deixarem "as contas públicas sem condições para se cumprirem os programas" de reequipamento militar.

"O azar do Exército não é o azar dos portugueses, mas o de sucedermos todos a governos socialistas que deixam as contas públicas sem condições para se cumprirem os programas", afirmou José Pedro Aguiar-Branco.

O governante falava na comissão parlamentar de Defesa, depois de questionado pelo deputado do PS Júlio Miranda Calha sobre este programa de equipamento para o Exército português que foi cancelado.

O ministro da Defesa salientou que "o programa teve de ser adaptado às prioridades na gestão dos dinheiros públicos" e que a previsão de custo por helicóptero no início do programa, em 2001, era de 17 milhões de euros e atualmente ultrapassava os 26 milhões.

"A própria Alemanha baixou de 120 para 80 helicópteros NH90", assinalou, para defender que as mudanças neste programa cooperativo são "transversais a todos os países".

Na sua intervenção, Aguiar-Branco deixou um rasgado elogio ao chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Pina Monteiro, que foi "determinante nesta negociação".

"Isto foi tratado em sintonia com o CEME, a quem quero prestar a primeira homenagem pelo alto sentido de responsabilidade, de serviço e mesmo patriótico, de saber encontrar a boa definição de prioridades que o Exercito deve ter neste momento", declarou.

Aguiar-Branco adiantou que o Governo está a tentar que "o encargo suplementar da denúncia do contrato na ordem dos 60 milhões de euros" possa ser utilizado para "servir as necessidades das Forças Armadas, do INEM e do Ministério da Administração Interna", numa "frota comum" de aeronaves.

"Aquilo que estamos a negociar, com prudente otimismo que me permite falar disto, é para que este montante seja convertido noutro tipo de equipamento", referiu.

Já questionado por Miranda Calha sobre um alegado "conflito institucional" que impediu a participação da Força Aérea no combate a incêndios, Aguiar-Branco reconheceu que esperava que isso "pudesse ser mais rápido", mas que atualmente essa solução "não era boa para o erário público", já que os helicópteros Kamov utilizados no âmbito do MAI têm contratos assinados até 2018.

ATF.

Lusa/fim